“Servir é a nossa paixão.
Segurança é a nossa prioridade.”
~United Airlines
Toda organização reconhece a importância da segurança no local de trabalho. As consequências das lesões são sentidas tanto nas finanças da empresa quanto, o que é ainda mais importante, no impacto pessoal sobre a pessoa e aqueles que lhe são próximos. A importância da segurança no trabalho aumentou significativamente ao longo dos anos. Antigamente, as lesões eram vistas como um custo inerente aos negócios. Hoje, a maioria das organizações considera a segurança fundamental para o sucesso empresarial.
Embora tenham ocorrido avanços significativos na valorização da criação e da gestão de um ambiente de trabalho seguro, as pessoas continuam se lesionando no trabalho. Apesar dos melhores esforços de boas empresas e bons líderes — a maioria dos quais definiu a segurança como prioridade máxima —, em um ano típico, 5.200 pessoas sofrem lesões fatais no trabalho somente nos EUA. Lesões que mudam vidas também representam um grande desafio para todas as organizações.
Um tema recorrente surge quando se pede aos líderes que expliquem por que uma lesão ocorreu. Muitas vezes, ouvimos surpresa e decepção diante da decisão tomada por alguém que resultou no ocorrido.
Em muitos casos, pessoas muito competentes e com bastante experiência simplesmente tomaram decisões ruins!
Compreendendo a Tomada de Decisões
Muitas vezes, os líderes não conseguem compreender — muito menos explicar — essas escolhas ruins. Ouvimos líderes dizerem que a segurança é discutida várias vezes ao dia, todos os dias, em diversos formatos e situações no local de trabalho. Também ouvimos que a segurança foi estabelecida e comunicada como uma prioridade da organização. As declarações corporativas de visão e missão fazem referência a esse fato rotineiramente. Treinamentos, reuniões de equipe, avaliações antes do início do trabalho, programas de observação e auditorias foram implementados para reforçar a segurança como prioridade. Investigações de acidentes anteriores podem ter identificado uma lacuna no processo que contribuiu para o acidente. Medidas corretivas foram tomadas.
Mesmo assim, os líderes também entendem que sempre haverá perigos e que jamais existirão regras, políticas e procedimentos capazes de eliminar todos os riscos do ambiente de trabalho. Com isso em mente, eles também reconhecem que os funcionários precisam tomar boas decisões no momento e no próprio local para garantir que voltem para casa vivos e bem ao final do dia.
Isso nos leva de volta ao fato de que frequentemente vemos pessoas competentes, bem treinadas e experientes tomarem decisões ruins que causam danos. Se a segurança é claramente comunicada como uma das principais prioridades na hierarquia dos valores empresariais, por que isso acontece?
Parte da resposta pode estar no processo habitual de comunicação das prioridades.
Qual é a Mensagem?
Passei os primeiros quarenta anos da minha carreira trabalhando na indústria de papel, grande parte desse período como líder de linha de frente e gerente de instalações. Fiz questão de falar sobre segurança em todas as oportunidades. Ela fazia parte das minhas conversas diárias com indivíduos e equipes.
Na minha perspectiva como líder, trabalhei arduamente para fazer da segurança uma prioridade máxima. No entanto, muitas dessas conversas incluíam rotineiramente a comunicação da importância da produtividade, do custo, da qualidade e do atendimento ao cliente. A segurança entrava nessa hierarquia de “indicadores críticos para o negócio”. Apesar dos meus esforços para garantir que a segurança fosse reconhecida como prioridade, testemunhei pessoalmente pessoas competentes tomarem decisões ruins, resultando em quase acidentes e, em alguns casos, em lesões graves.
Tarde demais na minha carreira, compreendi o papel que desempenhei, como líder, nas decisões questionáveis dessas pessoas. Em poucas palavras, não defini a segurança comoA prioridade, e sim como uma prioridade.
Isso fez da segurança apenas uma entre muitas prioridades.
Nesses momentos decisivos em que alguém precisa tomar uma decisão crítica sobre o que fazer, se a segurança for apenas mais uma prioridade, decisões ruins podem ser tomadas. Atalhos economizam tempo, e tempo é dinheiro. A complacência diz: “Eu consigo lidar com o risco.”
As justificativas para assumir riscos desnecessários são incontáveis e muitas vezes vêm à tona durante a investigação de um acidente ou quase acidente.
Essa causa raiz é realmente tão simples quanto “prioridades demais”.
A Prioridade!
Os líderes devem a seus liderados a absoluta clareza de que a segurança éA a prioridade! Embora a diferença entre a segurança como uma prioridade e a segurança comoA a prioridade possa parecer pequena, ela representa uma enorme diferença no processo de pensamento de quem executa o trabalho: é preto no branco; não existe meio-termo!
Definir a segurança comoA a Prioridade é o primeiro passo fundamental para uma liderança eficaz. Isso é essencial nos momentos decisivos que ocorrem todos os dias em todo o local de trabalho.
Igualmente essencial é ajudar os funcionários a entenderpor que a segurança éA a Prioridade. Enquanto os funcionários não assimilarem a importância da segurança, ela corre o risco de continuar sendo apenas mais uma expectativa corporativa.
Muitos de nós perdemos de vista por que levantamos e vamos trabalhar todos os dias. Isso pode ser tão complexo quanto a Hierarquia de Necessidades de Maslow ou tão simples quanto pensar nas coisas mais importantes de nossa vida. Responder a uma pergunta simples — Quais são as coisas mais importantes da minha vida? — pode nos levar à resposta de por que a segurança deve ser reconhecida comoA Prioridade.
Para muitas pessoas no local de trabalho, cuidar da família e dos entes queridos costuma ser uma resposta comum a essa pergunta. Essa resposta representa, na verdade, nossos valores pessoais. As empresas têm valores, mas nós, como indivíduos, também temos. Nossos valores pessoais desempenham um papel essencial em nosso processo diário de tomada de decisões. Nossa avaliação das consequências é fundamental para o comportamento de tomada de decisões. As decisões que tomamos todos os dias podem ser relacionadas à nossa avaliação das consequências, algumas de maneira consciente e muitas de maneira inconsciente.
É isso que chamamos de Argumento em Favor da Segurança.
Defendendo o Argumento em Favor da Segurança
O Argumento em Favor da Segurança se baseia no reconhecimento das consequências, tanto positivas quanto negativas, associadas às decisões que tomamos sobre trabalhar com segurança. Nesses momentos decisivos em que decisões críticas são tomadas, os valores e a avaliação das consequências desempenham um papel fundamental. O processo de pensamento que queremos colocar em prática é este: se eu pegar este atalho e me machucar, como isso me afetará? Que impacto isso terá sobre as pessoas mais importantes para mim?
Esse processo de pensamento garantirá que boas decisões sejam sempre tomadas? Não. Ele aumenta as chances de uma decisão melhor ser tomada? Com certeza. Esse processo aumenta as chances de uma boa decisão ser tomada independentemente da presença de um líder.
O Argumento em Favor da Segurança exige que os líderes façam a seus liderados uma declaração ousada, porém inequívoca, que defina a segurança como A Prioridade. Quando a segurança é uma entre muitas prioridades, pessoas competentes tomam decisões ruins no calor do momento, muitas vezes acreditando que estão fazendo a coisa certa para a empresa.
O Argumento em Favor da Segurança deve ser defendido constante e consistentemente pelos líderes. Em poucas palavras, trata-se de lembrar aos liderados por que eles se levantam e vão trabalhar todos os dias.
Relacionar o Argumento em Favor da Segurança aos valores pessoais de cada indivíduo prepara o terreno para um ambiente de trabalho acolhedor e uma cultura fundamentada em fazer com que todos voltem para casa vivos e bem ao final de cada dia.
Uma Reflexão Final
Há mais uma razão pela qual estabelecer o Argumento em Favor da Segurança é o trabalho mais importante de todo líder. Peça a qualquer líder que descreva seu pior dia de trabalho e garanto que a resposta será a história de um acidente ocorrido no trabalho. O líder se lembrará da pessoa, das circunstâncias exatas do acidente, muitas vezes da data e do horário, de quem mais esteve envolvido e do que aconteceu depois. Essa resposta frequentemente será expressa com um nível de emoção pessoal que reforça o incidente como um momento decisivo de sua vida — não apenas de sua vida profissional.
Bill Wilson
Fevereiro de 2024
