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O Poder do Exemplo

31 de maio de 2019 / Balmert Consulting

Neste mês, Paul examina o poder do exemplo, o poder dos exemplos dados pelos líderes. Imitar ou reproduzir o comportamento dos outros está enraizado em nós desde pequenos. Fazemos isso quase sem pensar. Se isso for verdade, então, para um líder, essa é uma forma poderosa de levar as pessoas a fazerem o que você deseja.

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“Os seguidores esperam que seus líderes sejam modelos melhores do que eles próprios. Os melhores líderes são exatamente isso.”~Paul Balmert Exemplo: um caso que serve para ilustrar uma regra ou um preceito
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Vídeos que viralizam. Duas décadas atrás, esse fenômeno não existia. Agora, eles chegam até você de todas as direções imagináveis. Combine o acesso instantâneo ao vídeo — quem não tem um celular sempre à mão? — com a mídia conhecida pelo adjetivo “social”, e teremos uma forma impressionante de comunicação.

Sem falar no entretenimento.

O vídeo viral é um exemplo do que se conhece como inovação disruptiva. É justo dizer que, para muitos espectadores, o vídeo se tornou uma alternativa ao que as emissoras oferecem. Você pode ter certeza de que os altos executivos do setor de mídia prestaram muita atenção nisso. Qualquer pessoa com um celular agora é uma concorrente em potencial. Melhor — ou pior — muitos de nós trabalharemos de bom grado sem receber nada.

Imagine algo assim acontecendo em sua empresa; é um pensamento assustador. Você pode acabar ficando sem negócio.

Quanto ao que faz um vídeo viralizar — os fatores que explicam a causa desse efeito —, hoje você pode estudar o assunto em uma fonte tão respeitada quanto a Harvard Business Review. Um de seus artigos começa com a frase: “Um vídeo viral é o sonho de todo profissional de marketing.”

Essa é a Harvard BUSINESS Review, enquanto nosso foco está na segurança. Ainda assim, há algo a aprender com o fenômeno. Na verdade, eu deveria dizer “algumas coisas”, pois há muito a aprender.

Para começar, a intensidade da emoção provocada por um vídeo é fundamental para que ele viralize. Isso faz dos perigos — naturais e causados pelo ser humano — excelentes candidatos a vídeos virais.

Aqui está um exemplo absolutamente de tirar o fôlego. É preciso ver para crer.

https://www.cnn.com/videos/us/2019/05/22/train-hits-police-cruiser-newsource-orig.cnn 

O fato de isso ter acontecido em Midland, Texas, é uma ironia impressionante. Você se lembra do que aconteceu lá em 15 de novembro de 2012, não é?

Dizem que a história não se repete, mas certamente rima.

Um Exemplo
 
Este vídeo é um exemplo perfeito de exemplo: um caso que serve para ilustrar uma regra ou um preceito. Para começar, ele ilustra por que um vídeo específico viralizaria: a intensidade da emoção que provoca é enorme! O fato de o policial ter ficado apenas “machucado, mas ainda andando e falando” (como descreveu uma reportagem) é simplesmente impressionante. Pense no que poderia ter acontecido.
 
Acontecimentos assim provocam esse efeito. Quanto às lições a serem aprendidas, há várias “regras e preceitos” que este exemplo ajuda a ilustrar. Uma delas seria o reconhecimento de perigos. Como em: “Aquele agente não reconheceu o perigo representado pelo trem que se aproximava.”
 
Eu apostaria que essa seria a causa raiz apontada na investigação de alguém — o NTSB, caso decidisse intervir, ou o Gabinete do Xerife, supondo que esse seja o tipo de ocorrência que exija uma investigação completa e minuciosa da causa raiz. O segundo trem estava fora do campo de visão, certo? E, se o agente tivesse reconhecido aquele perigo, jamais teria feito o que fez, certo? Não é como se ele quisesse se machucar, certo?

Certo. Ação preventiva e corretiva: enviar o agente para um treinamento de reconhecimento de perigos.
 
Se você concorda com isso, está muito bem acompanhado. Vejo isso o tempo todo: não apenas no setor público, mas também em grandes empresas industriais como aquela em que você trabalha. Há muitos líderes que pensam dessa forma.
 
Este é um exemplo clássico do que se conhece como raciocínio falacioso: algo que parece razoável e plausível — superficialmente. Mas, quando submetemos esse raciocínio à prova, a lógica desmorona.
 
A questão é que alguém precisa contestar esse tipo de raciocínio e colocá-lo à prova. Na ciência, isso acontece no que se chama revisão por pares: desafio você a encontrar falhas nisto! Se não fosse pela revisão por pares, talvez pensássemos que a Terra é plana e o centro do universo.
 
Infelizmente, a revisão por pares não acontece rotineiramente na maioria das organizações: ela se parece demais com resistência. Como você ousa discutir com quem toma as decisões?
 
Portanto, antes que alguém embarque na ideia de que “este é um exemplo de falha no reconhecimento de um perigo”, considere os fatos mais prováveis da ocorrência.
 
Por exemplo, a cancela está abaixada, as luzes piscam e as buzinas dos trens soam. É até possível que os sinos estejam tocando — tudo por um motivo: alertar sobre um perigo. Pare, olhe e escute: preste atenção a esses alertas.
 
A regra é esta: diante dessa situação, um motorista não pode atravessar o cruzamento. E por um motivo muito sério. Siga as regras. Ponto-final.
 
Há duas linhas férreas nessa passagem, não apenas uma. A primeira pode bloquear a visão da segunda, como aconteceu aqui. Aqueles de nós que já dirigiram em Midland sabem que essas são linhas ferroviárias de alta velocidade. Pode apostar tudo o que tem que aquele agente sabia disso.
 
Assim, apesar dos inúmeros alertas sobre a presença de um perigo sabidamente fatal e das regras para evitar a exposição, o agente se colocou em risco. E não foi apenas ele! Seu apoio — a segunda viatura — estava totalmente preparado para fazer o mesmo.
 
Nenhum dos dois reconheceu aquele perigo?
 
Não acredito nisso nem por um segundo. Tenho certeza de que você também não. Nenhum adulto razoável e inteligente deveria considerar que isso tenha alguma relação com o reconhecimento de perigos. Esse não é o problema.
 
Então, qual é o problema?
 
Em certo nível, a resposta é simples: este é um problema de raciocínio. É um problema na forma como nós, seres humanos, pensamos sobre o que estamos fazendo e sobre o que pode acontecer conosco enquanto fazemos o que estamos fazendo. Esse problema de raciocínio tem um nome sofisticado: viés cognitivo.
 
Existem mais de cem vieses cognitivos: são falhas na forma como pensamos, decorrentes do fato de que nós, seres humanos, temos uma forte tendência a procurar o caminho mais fácil — mental e físico —, independentemente de nosso raciocínio estar certo ou errado.
 
Não é nada difícil identificar vários vieses cognitivos que levariam não apenas um, mas dois bons agentes do xerife a contornar as cancelas de uma passagem de nível. No calor da ação, ao responder a uma emergência, esses vieses podem exercer enorme influência.
 
Vou parar por aqui, pois já deixei clara a questão. Deixo para você estudar os vieses cognitivos. Se fizer isso, comece pelo que se chama Lock on/Lock out.
 
Não confunda isso com lockout/tagout: estou descrevendo o que derrubou um Lockheed 1011 Tri-Star nos Everglades, em 1972, custando 163 vidas.
 
Repetindo: a história pode não se repetir, mas ela rima.
 
Um Exemplo de Liderança
 
Quanto à lição mais importante a ser aprendida com este exemplo, trata-se do poder do exemplo. O exemplo de um líder. Talvez isso não seja imediatamente óbvio, mas, se você pensar no que aconteceu, ficará surpreendentemente claro.
 
Imagine a cena no momento anterior à ocorrência: uma fila de veículos esperando pacientemente — bem, alguns nem tanto — o trem passar. Erro meu: são dois trens. Em Midland, isso acontece regularmente e os trens são longos. Pelo menos eles passam rápido.
 
Duas viaturas policiais, com luzes piscando e sirenes soando — não muito diferente do sistema de alerta da passagem de nível —, contornam os carros enfileirados e avançam em direção à travessia.
 
O que levaria uma pessoa que observava a cena, sentada em um carro parado, a pegar o celular, tocar no ícone da câmera e iniciar a gravação? Na verdade, VÁRIAS pessoas, pois há pelo menos dois vídeos em circulação, gravados de lados diferentes do cruzamento.
 
Vamos descartar a possibilidade de que elas soubessem que um acidente estava prestes a acontecer:“É só esperar para ver: aquele segundo trem vai esmagar a viatura, e eu vou ficar famoso por ter filmado isso com meu celular. Posso até ficar rico.”
 
Dificilmente. O momento do “Meu Deus!” ouvido no vídeo entrega tudo. Como observação à parte, meus parabéns por ter falado dessa forma. Essas não teriam sido as minhas palavras.
 
Suponho que alguém poderia perguntar: “Por que você filmou aquilo?”
 
É bem provável que a resposta fosse:“Achei que aqueles dois agentes atravessariam a passagem mesmo com as cancelas abaixadas. Se eu fizesse isso e eles me pegassem, iria embora com uma multa!”
 
Eis a questão: é exatamente isso que seguidores de todo o mundo fazem com seus líderes!
 
Eles fazem isso o tempo todo. Não, eles não usam vídeo. Mas a imagem é registrada e preservada no espaço de catorze centímetros entre suas orelhas.
 
É exatamente aí que se desenrola o jogo — ou processo, se preferir — da liderança: naquele espaço de catorze centímetros entre as orelhas de cada seguidor. Esse é mais um motivo pelo qual liderar é uma tarefa difícil: é sempre um jogo fora de casa, disputado no campo de outra pessoa.
 
A Palavra Final
 
A liderança é complexa. Liderar pelo exemplo não é.
 
No processo de liderança, nada é mais poderoso do que o exemplo: aquilo que os seguidores veem seu líder fazer. Em relação ao exemplo, os seguidores esperam que seus líderes sejam exemplos melhores do que eles próprios.
 
É isso que os seguidores fazem.
 
Paul Balmert
Maio de 2019