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As Festas de Fim de Ano

13 de dezembro de 2024 / Balmert Consulting

Neste mês, Paul se aprofunda na aplicação do Método Científico para compreender melhor os fatores que impulsionam o desempenho em segurança. Ele apresenta uma hipótese que vale a pena testar quando tudo está indo bem e dá alguns conselhos sobre a melhor forma de examinar as evidências quando o desempenho em segurança não está como deveria.

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“O propósito de uma empresa é fazer as coisas acontecerem.”

~De Shadows In The Sun

À medida que o ano chega ao fim e as festas se aproximam, pode ser tentador pensar que chegou a hora de fazer uma pausa merecida nas exigências da gestão do desempenho em segurança. Afinal, com o escritório central ficando vazio e a diminuição dos e-mails, telefonemas e chamadas pelo Zoom, parece que os processos de gestão da segurança também entram de férias.
 
Até certo ponto, é isso mesmo. Faça o teste: quanto planejamento, organização e tomada de decisões realmente acontecem durante as festas? Pela minha experiência, muito pouco. Esse tipo de trabalho de gestão ou é concluído antes que todos saiam de férias ou é adiado para o ano-novo. Hoje em dia, é assim que os negócios são conduzidos.
 
Isso ajuda a explicar por que, antigamente, as festas eram minha época favorita do ano para estar no escritório. O telefone raramente tocava, as reuniões eram incomuns e quase não apareciam visitantes inesperados.
 
Tudo isso me permitia fazer as coisas acontecerem, o que, como você sabe, é o propósito de uma empresa.
 
A Hipótese
 
Ao contrário dos líderes, os perigos nunca tiram férias. Mesmo quando a gestão não está presente, enquanto houver pessoas realizando o trabalho da empresa, haverá coisas que podem machucá-las. A presença reduzida da gestão durante as festas levanta uma questão interessante: como essa menor presença afeta o desempenho em segurança no fim do ano?
 
Em teoria, a combinação de menos supervisão com as distrações trazidas pelas festas deveria provocar uma piora no desempenho em segurança. Desculpe se isso acaba com seu clima festivo: “Droga! Agora tenho mais um desafio difícil de segurança para administrar.” E você precisa administrá-lo, ou algo ruim pode acontecer.
 
Há mais de duas décadas, perguntamos a líderes industriais do mundo inteiro quais são seus maiores desafios de segurança. O consenso entre seus pares é que tanto a falta da presença visível dos líderes quanto as distrações externas ao trabalho são desafios difíceis de segurança. Quando chegam as festas, não é como se esses desafios fossem imprevistos; eles são apenas convenientemente ignorados. Caso contrário, a gestão passaria as festas no trabalho, mantendo as pessoas seguras.
 
No espírito de mandar todos para casa vivos e bem ao final de cada dia — inclusive durante as festas —, essa é uma preocupação válida. Na pesquisa científica, isso é conhecido como hipótese. O que separa a ciência da arte é que a comprovação vem na forma de evidências. Evidências assumem todo tipo de forma, mas há algo que elas não são: a opinião de alguém.
 
Não que haja escassez de opiniões sobre segurança. Muitas vezes, a opinião orienta as políticas. Um exemplo: houve uma época em que parecia que quase todos acreditavam que as cintas lombares eram a solução para as lesões nas costas. Por fim, os pesquisadores buscaram evidências e não encontraram dados que mostrassem taxas de lesões menores com o uso das cintas ou maiores sem elas. Isso tornou o benefício das cintas lombares uma hipótese não comprovada.
 
Tendo isso em mente, essa hipótese específica sobre as festas deve ser bastante simples de comprovar — ou refutar. Basta comparar as taxas de frequência de lesões das duas últimas semanas do ano com as das cinquenta semanas anteriores. Faça os cálculos para um número suficiente de anos a fim de eliminar as variações aleatórias e, voilà, estarão aí as evidências para comprovar se a hipótese é verdadeira — ou não.
 
Como diria o Dr. Deming: “Em Deus confiamos. Todos os outros devem apresentar dados.”
 
Mas, antes de realizar esse experimento e produzir os dados, talvez seja bom considerar suas implicações. E se o desempenho em segurança realmente melhorar quando tantos líderes estão de férias?
 
Explicar isso seria problema seu, não meu.
 
O Método Científico
 
Em termos simples, o Método Científico exige estabelecer uma hipótese, elaborar um experimento, realizá-lo e avaliar os resultados. Se isso faz você se lembrar do ciclo virtuoso de Deming — planejar, fazer, verificar e agir —, não é coincidência. Deming nunca escondeu que adotou o Método Científico como meio de realizar experimentos para melhorar os processos de trabalho. Quando Peter Drucker definiu o trabalho de um gestor como planejar, liderar, organizar e medir/corrigir, ele estava descrevendo um processo semelhante.
 
Criar novos conhecimentos, melhorar continuamente os processos e administrar racionalmente uma empresa têm os mesmos elementos fundamentais. Isso explica por que aquilo que você faz profissionalmente é considerado ciência da administração. Como deve ser.
 
Isso pressupõe que os princípios da ciência sejam seguidos na prática. O problema é que nós, seres humanos, temos uma inclinação natural a querer pular a ciência e agir por instinto. Em termos de psicologia comportamental, isso é chamado de Viés Cognitivo: a tendência de tomar atalhos mentais. Não é diferente dos atalhos que seus liderados prefeririam tomar nos procedimentos de trabalho, mas os atalhos deles são físicos e os seus são mentais.
 
O Viés Cognitivo parece bastante inofensivo, até deixar de ser. Por exemplo, o Viés de Confirmação — a tendência de buscar e confiar em informações compatíveis com aquilo que preferimos acreditar — ajuda a explicar as decisões e ações equivocadas na Deepwater Horizon e em Three Mile Island.
 
Quanto ao seu funcionamento, o Viés de Confirmação foi descoberto em um experimento simples no qual os participantes receberam três números e foram solicitados a prever o número seguinte da sequência. Raramente demoravam para chegar a uma resposta; raramente ela estava correta. A falha comum no processo de raciocínio era não testar o que equivalia a uma hipótese de uma forma que pudesse demonstrar que ela estava errada.
 
Parece familiar?
 
Pensamento Crítico
 
Quando somos vítimas do raciocínio falho do Viés Cognitivo, é difícil — ou até impossível — perceber que isso está acontecendo conosco. Do nosso ponto de vista, nosso raciocínio faz todo o sentido. Ainda mais quando há muitas outras pessoas como nós pensando exatamente a mesma coisa.
 
Isso, aliás, é outro Viés Cognitivo: seguir a maioria.
 
Por algum motivo, a segurança parece ser um terreno fértil para o surgimento desses vieses. Alguém apresenta uma teoria e, em vez de testar a hipótese, os líderes seguem a maioria. Deixo para você testar essa observação: é bastante simples. Faça uma lista dos programas de segurança que você consideraria a “moda do mês” e pergunte a si mesmo quais evidências poderiam demonstrar que cada um deles é verdadeiro ou falso.
 
Normalmente, começo esse processo perguntando a mim mesmo sobre experiências em primeira mão: o que testemunhei que confirma ou refuta aquilo que equivale a uma hipótese não testada: “Ao fazer isso, reduziremos as lesões e melhoraremos o desempenho em segurança.” Na pesquisa, isso é conhecido como evidência anedótica.
 
Mas devo alertar: pensar criticamente não fará necessariamente com que você conquiste amigos. Por algum motivo, aqueles que têm as ideias preferem muito mais que todos sigam a maioria. Para os líderes, é assim que o Viés de Confirmação se manifesta na vida real.
 
Testando a Hipótese da Presença da Liderança
 
Voltando, então, à nossa hipótese sobre a relativa ausência da liderança durante as festas: deixe os dados falarem. Se as taxas de lesões comprovarem que há, de fato, um problema de desempenho, você sabe como lidar com esse tipo de problema.
 
Mas e se não comprovarem? E se o desempenho em segurança durante as festas for igual ou superior ao do restante do ano? Isso pode acontecer; nesse caso, deve haver uma explicação lógica, o que exige uma hipótese alternativa.
 
Talvez você já tenha uma em mente. Vou apresentar a minha, que parte do reconhecimento da diferença entre os efeitos de curto e longo prazo da gestão e da liderança. O que acontece durante as cinquenta semanas anteriores (e talvez quinhentas semanas) determina o comportamento em qualquer dia ou semana. Se os líderes tiverem realizado bem seu trabalho coletivo, o comportamento deverá ser tão bom durante as festas quanto no restante do ano.
 
Em uma palavra, isso é cultura.
 
Fechando as Contas
 
As festas sinalizam que o ano está chegando ao fim. Esperamos que o seu tenha sido bom, começando pela coisa mais importante que todo líder precisa realizar: gerir o desempenho em segurança. Se foi, não deixe de comemorar.
 
Se não foi, não há momento melhor do que a relativa tranquilidade das festas para examinar rigorosamente as evidências: o que os indicadores e as informações revelam sobre o problema? Sobre esse assunto, o conselho de Charles Kettering de que “um problema bem formulado é um problema meio resolvido” é sempre válido. Mais um exemplo do benefício de seguir o Método Científico.
 
Ao encerrarmos nosso ano, não há momento melhor do que as festas para agradecer. Agradecemos seu interesse no que temos a dizer e por nos permitir contribuir com sua causa. É sempre um privilégio ajudar.
 
Por fim, embora o propósito de uma empresa sempre seja fazer as coisas acontecerem, o objetivo mais importante de toda empresa é fazer essas coisas com segurança.
 
Paul Balmert
Dezembro de 2024