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A Face da Empresa

30 de setembro de 2021 / Balmert Consulting

Neste mês, Paul explica por que inverter a pirâmide organizacional é fundamental para entender quem é o membro mais importante da gestão quando se trata de fazer as coisas acontecerem e garantir que as pessoas voltem para casa vivas e bem ao fim do dia.

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“O supervisor tem o trabalho mais difícil da empresa”     ~Richard P. Balmert
Gerente da Planta

Quem é o líder mais importante da sua organização?
 
Tenho certeza de que a resposta é óbvia — para você. É o CEO, o COO, talvez o CFO. São os líderes da alta direção, como os analistas financeiros gostam de chamar esse grupo, que tomam as grandes decisões, fecham os grandes negócios, assinam os grandes cheques, causam impacto quando fazem grandes discursos e aparecem no canal de negócios para as grandes entrevistas.
 
Faz sentido. É por isso que recebem salários tão altos.
 
Tente pensar na pergunta no contexto da segurança. Quando se trata de garantir que as boas pessoas que realizam o trabalho da sua empresa voltem para casa vivas e bem ao fim do dia, quem realmente é o líder mais importante da empresa? É o líder no escritório de canto da sede mundial ou outro líder que trabalha em algum outro lugar da empresa?
 
A resposta é óbvia — para mim. Pelo menos agora é. Quando se trata de gerenciar a segurança, o líder mais importante da empresa é aquele que tem o escritório de canto — bem ao lado da área operacional.
 
Esse líder não é apenas o mais importante para a segurança; ele também tem o maior poder para garantir que todos realmente voltem para casa em segurança.
 
Se isso lhe parece totalmente absurdo, você precisa investir alguns minutos examinando o papel que o supervisor de linha de frente desempenha na liderança e na gestão do desempenho em segurança. As evidências comprobatórias vão convencê-lo do contrário.
 
Convenceram a mim.

Funções de Liderança do Supervisor de Linha de Frente
 
Hoje, você não encontrará um admirador maior do supervisor de linha de frente do que eu. Mas nem sempre foi assim. Algumas semanas após o início da minha carreira industrial — um mês depois de concluir o ensino médio e dois meses antes de partir para a faculdade —, eu trabalhava para um deles como auxiliar geral no turno da meia-noite de uma fábrica de produtos químicos. Que supervisor sortudo: primeiro teve que me treinar e depois tentar administrar meu jeito impetuoso.
 
Certa manhã de sábado, durante o café da manhã, eu reclamava com meu pai sobre meu primeiro chefe. “Por que esses caras estão na folha de pagamento?” Foi então que recebi minha primeira lição sobre gestão industrial. Como disse meu pai — que, por acaso, era o gerente daquela fábrica: “Paul, o supervisor tem o trabalho mais difícil da empresa.”
 
Foi um enorme Momento de Alta Influência!
 
Lição aprendida, naquele exato momento e lugar. Todos os dias, o supervisor de linha de frente é pessoalmente responsável por gerenciar um conjunto de atividades que desempenham um papel direto na determinação do resultado de segurança daquele dia. Ele cumpre essas responsabilidades porque elas lhe foram delegadas por seus líderes: esse é seu trabalho no que diz respeito à gestão do desempenho em segurança.
 
Quanto a quais são essas responsabilidades, tudo é muito óbvio. O supervisor de linha de frente treina e qualifica os membros de sua equipe. Autoriza o trabalho realizado pela equipe e decide quem o executará. Ou seja, a “permissão de trabalho” e a “atribuição de tarefas”. O supervisor de linha de frente observa a execução do trabalho pela equipe e deve corrigir comportamentos inseguros e reforçar os seguros. Ele conduz a reunião de segurança antes do trabalho, comunica mudanças nos procedimentos de segurança e administra sugestões de segurança. Quando algo dá errado, recebe o primeiro relato e inicia a resposta. Se o problema não for significativo, espera-se que o supervisor de linha de frente o resolva.
 
Essas responsabilidades atribuídas constituem a execução da segurança. A qualidade com que essas funções de liderança são desempenhadas determina, em grande parte, o desempenho em segurança. Não acredite apenas na minha palavra: pegue sua lista de lesões, leia as causas imediatas — como “falta de treinamento” e “não seguiu o procedimento” — e pergunte a si mesmo qual líder da empresa estava na melhor posição para evitar que aquilo acontecesse. Na maioria dos casos, será o supervisor de linha de frente. Sim, o papel do supervisor de linha de frente é tão importante assim.
 
Mas espere, tem mais.
 
Há também a questão de saber o que está acontecendo. Pense nisso como Visibilidade do Desempenho, que consiste exatamente em saber o que realmente está acontecendo, para o bem ou para o mal. A Visibilidade do Desempenho está no extremo oposto do espectro em relação à percepção. Confundir percepção com realidade já se mostrou prejudicial a carreiras e fatal para pessoas no trabalho.
 
Entre todos os membros da gestão, o supervisor de linha de frente está na melhor posição para conhecer a realidade como ela é. Ele vê em primeira mão as condições das ferramentas e dos equipamentos; a eficácia e o cumprimento dos métodos e procedimentos; e o nível de habilidade e desempenho de quem realiza o trabalho. O problema que todo executivo enfrenta — queira admitir ou não — é que, quanto mais distante está da operação, menor é a probabilidade de saber o que realmente está acontecendo nasuaoperação.
 
Isso está longe de ser um fenômeno novo. Peter Drucker o caracterizou como “o isolamento do executivo-chefe”. Em 1954, escreveu: “…tudo o que é apresentado…para informação ou decisão é, por necessidade, previamente processado, formalizado e abstraído. É uma destilação, e não a matéria-prima da vida.” Você pode perceber o problema: as coisas que realmente importam para a segurança são a “matéria-prima” da vida real nas operações.
 
Se informação é poder, quanto poder você acha que realmente tem um CEO com Visibilidade do Desempenho limitada?
 
Depois, há a questão da influência.
 
É justo dizer que um executivo tem muito mais poder formal que um supervisor de linha de frente. Diferentemente do poder formal, que é uma função do nível e da estrutura do cargo, a influência opera com base em fatores de relacionamento, como confiança, respeito e credibilidade. A influência pode ser um poder brando, mas não pense que essa forma de poder não seja……ah….. poderosa.
 
Nas últimas quatro décadas, inúmeras pesquisas organizacionais foram realizadas sobre a questão da influência. Pergunta-se às pessoas: “Quando chega a hora de falar com você sobre assuntos da empresa, qual nível da organização inspira mais confiança, respeito e credibilidade — e exerce mais influência?”
 
As conclusões são extremamente consistentes, independentemente da empresa ou do setor: a resposta predominante é “meu supervisor”.
 
Faz todo o sentido: os relacionamentos importam para a influência; a proximidade importa para os relacionamentos. Para quem realiza o trabalho, o supervisor de linha de frente é realmente a face da empresa.
 
Poder: Teoria versus Prática
 
Quanto ao poder de gerenciar a segurança, há mais uma coisa importante que todo líder precisa entender. Embora a visão teórica do organograma sugira que os níveis superiores sempre têm mais poder que os inferiores, na prática não é necessariamente assim que o poder funciona.
 
Você já entende um dos motivos: a influência — o poder brando — aumenta com a proximidade. Em termos organizacionais, quanto mais próximo o líder está do liderado, maior é sua influência sobre ele. Não é o contrário.
 
No caso da segurança, há um segundo motivo pelo qual o poder não segue o organograma: a interrupção do trabalho. Em minhas viagens, ainda não conheci ninguém no mundo que não tenha ouvido: “Se você acha que o trabalho não é seguro, pode interrompê-lo.” Tenho certeza de que você já ouviu isso e confio que interrompa os trabalhos que considerar inseguros.
 
Quando se trata de segurança, a capacidade de interromper o trabalho é uma das formas mais puras de poder formal que alguém pode ter. O poder é absoluto, e o resultado é garantido. O trabalho é interrompido e ninguém se machuca. Isso é poder!
 
Quem tem o poder de interromper um trabalho? Qualquer pessoa. Todos.
 
Na prática, quem tem maior probabilidade de se encontrar em posição de exercer esse poder? De interromper um trabalho que precisa ser interrompido? A resposta é muito óbvia: a pessoa que executa o trabalho e seu supervisor de linha de frente.
 
Mais um motivo que explica por que o supervisor de linha de frente é tão importante — e tão poderoso — na prática.
 
Percepção Não É Realidade
 
O poder organizacional serve como exemplo perfeito para desmentir o mito de que “percepção é realidade”. A realidade é a realidade, mesmo quando não parece ser assim. Embora o supervisor de linha de frente possa ser visto como alguém sem autoridade e seja praticamente invisível para a alta gestão, na realidade ele desempenha um papel de importância vital e incrivelmente poderoso na gestão do desempenho em segurança.
 
Se você é supervisor de linha de frente, a melhor coisa que pode fazer é reconhecer o poder que possui e usá-lo bem para fazer a diferença.
 
Se você é um líder sênior, a melhor coisa que pode fazer é reconhecer o poder que confere aos seus supervisores de linha de frente e aproveitá-lo plenamente. O caminho para a excelência em segurança passa diretamente por seus supervisores de linha de frente.
 
Paul Balmert
Setembro de 2021