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A Zona de Perigo

1º de janeiro de 2018 / Balmert Consulting

Na edição deste mês do Managing Safety Performance News, Paul começa o Ano-Novo examinando os desafios da liderança e analisando como a complacência interfere no objetivo de mandar todos para casa, ao fim de cada turno, vivos e bem.

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“Só os paranoicos sobrevivem

~Andy Grove
Fundador e CEO da Intel

Boas-vindas ao Ano-Novo! É o momento perfeito para conferir sua lista de difíceis desafios de segurança, de A a Z. Você sabe: atitude, conscientização, comportamento, adesão, mudança, comunicação, conformidade, complacência, cultura, decisões, ambiente, equipamentos, foco……… etc. ……. Até chegar ao Zero. Ninguém se machuca; todos voltam para casa vivos e bem ao fim do dia.

Esses desafios são simples: são apenas uma ou duas palavras, familiares a todos os líderes do planeta.

Eles também são de importância vital: se você não cuidar bem desses desafios, mais cedo ou mais tarde alguém se machucará. Mas não são fáceis: se fossem, já teriam sido resolvidos há muito tempo, de uma vez por todas.

Essa é outra característica desses desafios: eles nunca são realmente resolvidos. Uma solução é uma resposta definitiva para um problema. Desafios como conformidade, cultura e equipamentos estão em constante estado de deterioração: sem investimento de energia, eles não se manterão no nível necessário para alcançar zero dano. É assim que as coisas são. Não adianta se iludir pensando o contrário.

Isso nos leva ao desafio da complacência. É um desafio que vai e volta. É o desafio que um líder recebe como recompensa por realizar um excelente trabalho na gestão do desempenho em segurança.

Mas, afinal, nenhuma boa ação fica impune.

Um Estado de Espírito

Viajando como tenho feito nas últimas duas décadas e encontrando líderes do mundo inteiro, um desafio que enfrento regularmente é o idioma: garantir que estejamos trabalhando com uma compreensão comum das palavras. O desafio linguístico não se limita à tradução entre o inglês e outro idioma: como alguém sabiamente observou, a Inglaterra e os EUA são dois países separados por uma língua em comum.

Mais perto de casa, na próxima vez em que estiver almoçando com seus colegas de trabalho, peça que definam “cultura”. Você provavelmente receberá tantas respostas diferentes quanto o número de pessoas sentadas à mesa. Isso acontece comigo o tempo todo — na Sede Mundial. Não importa onde, no mundo, a sede esteja localizada.

Complacência é uma dessas palavras. Nós a usamos o tempo todo. Mas, quando pressionados a definir exatamente o que é complacência………. é…… hum…. bem, você a reconhece quando a vê, certo?

“Nosso pessoal não está pensando. Nem verificando, como deveria.”

Isso não está totalmente errado, mas está longe de ser precisamente correto e pode até ser um pouco enganoso. É hora de uma pequena ajuda do seu consultor de gestão. A complacência é um estado de espírito: pensar que não há perigo; que não há nada com que se preocupar; que nada dará errado. O medo e a dúvida foram expulsos — do pensamento.

Um bom exemplo: em janeiro de 2018, muitos investidores estão pensando exatamente assim sobre suas carteiras. Talvez não haja nada com que se preocupar. E talvez o patrimônio líquido deles esteja em risco — porque há muito com que se preocupar.

Mas isso é apenas dinheiro.

Complacência — e Segurança

Reúna vários líderes em uma sala, e é garantido que a complacência aparecerá como um dos desafios de segurança mais difíceis para eles. E por um bom motivo: quando seus liderados demonstram o estado de espírito caracterizado como complacência, eles não estão preocupados. Não precisam estar, porque nada dará errado. Não há necessidade de se concentrar na tarefa em execução; não há necessidade de prestar muita atenção aos detalhes e às condições; não há necessidade de verificar e conferir novamente.

Isso os deixa livres para pensar nas coisas em que realmente querem pensar. No que farão no fim de semana; no que fizeram durante as festas de fim de ano. Não é que eles “não estejam pensando”. Eles apenas não estão pensando no que fazem no momento em que o fazem. Nada disso contribui minimamente para trabalhar com segurança.

É claro que a maneira mais rápida de acabar abruptamente com a complacência seria ocorrer algum incidente grande e terrível. Isso deixará todos preocupados, receosos — e cuidadosos. Mas essa simplesmente não é a melhor maneira, como demonstram inúmeros bons líderes que conseguem manter seus liderados atentos sem precisar que algo dê errado.

É assim que se parece a “complacência dos liderados”. Você a conhece bem. E quanto à “complacência dos líderes”? Os líderes se tornam complacentes? E, caso se tornem, como isso se manifesta?

É claro que sim: os líderes também são seres humanos normais. Bem, a maioria deles.

Assim como seus liderados, os líderes enfrentam sua própria forma de complacência. Em termos absolutos, a complacência dos líderes é um problema ainda maior do que a dos liderados: a magnitude das consequências de um líder complacente é muito maior. Mas a complacência dos líderes tem outra aparência: sua manifestação costuma ser diferente daquilo que a maioria dos líderes tende a imaginar.

Claro, existe a linha de pensamento dos líderes de que “Bom já é bom o bastante”. O desempenho em segurança, quando comparado ao dos pares, está entre os melhores (escolha uma opção): metade, terço, quartil ou decil. Isso é bom o bastante para satisfazer (escolha uma opção) o chefe, a corporação ou o Conselho. O CEO da Alcoa, Paul O’Neill, enfrentou esse tipo de complacência no primeiro dia de sua gestão. Ela veio de algum vice-presidente sênior que não gostou muito de ver um novato vindo de fora sugerir que não estávamos no auge do nosso desempenho.

Também conhecida como resistência.

Isso pode acontecer — e já aconteceu. Mas, na maioria dos lugares aonde vou, “Bom nunca é bom o bastante” caracteriza a forma de pensar sobre segurança. Isso se chama melhoria contínua. Meta deste ano: 10% abaixo do resultado efetivo do ano passado. Supondo que o ano passado tenha sido bom.

Essa linha de pensamento não produzirá complacência — desde que você seja o líder que precisa elaborar o plano de melhoria e depois alcançar o desempenho esperado. Preocupação, ansiedade e até medo são mais prováveis.

Mas suponha que você esteja encerrando um ano com zero dano. Ou que esteja em uma sequência de anos com zeros: zero, zero, zero… Ou que esteja saindo do melhor ano de todos os tempos. É aí que o problema da complacência pode mostrar sua face mais desagradável: “Agora que resolvemos essa questão da segurança…..” ou “Como o desempenho em segurança está sob controle……”  Próximo assunto: ________ (preencha a lacuna.)

É exatamente assim que soa a complacência dos líderes — diretamente da boca de líderes complacentes. Se você já passou por isso e disse algo assim, não se sinta injustiçado. Você tem muita companhia.

O que indica a natureza do problema.

Esta É a Zona de Perigo

O fracasso produz muitas coisas, mas a complacência não é uma delas. Nesse sentido, o sucesso é um Indicador de Alerta Antecipado da complacência. Ele não garante a complacência, mas a tentação está sempre presente. Sempre há demandas concorrentes pelo tempo e pela atenção de cada líder; quando algum aspecto do desempenho empresarial vai bem, é natural que o líder se concentre na questão urgente do dia… da semana…. do mês….. do ano.

A verdade é que os líderes são naturalmente inclinados a procurar problemas e resolvê-los. Se a segurança não é um problema, sempre há outras coisas interessantes, desafiadoras — e nada entediantes — em que trabalhar.

Portanto, se você está encerrando um excelente ano de desempenho em segurança, parabéns pelo trabalho bem-feito! E saiba que agora você está na Zona de Perigo. Ter isso em mente o motivará a fazer as coisas certas para evitar esse risco: a complacência.

Por outro lado, se você está saindo de um daqueles anos ruins, arquive esta edição e leia-a quando voltar ao topo. Talvez ela ajude você a permanecer lá — e longe da Zona de Perigo.

Paul Balmert
Janeiro de 2018