“Um atraso não é um desastre”
~Do filme Sully
Com que frequência um líder realmente interrompe o trabalho por considerá-lo pouco seguro?
É uma pergunta muito interessante, além de muito relevante para todos os líderes industriais do mundo. Sempre existe algum elemento de risco em tudo o que fazemos no trabalho, e há momentos em que esse risco simplesmente se torna alto demais. É aí que se deve invocar a Autoridade para Interromper o Trabalho.
Mas sabemos com certeza que nem sempre isso acontece.
Quem executa o trabalho segue em frente e, vez ou outra, o resultado não é bom. Quando isso acontece e é realmente grave, surgem acontecimentos que viram manchete, como Challenger, Texas City e Deepwater Horizon. Todos foram casos trágicos em que as pessoas envolvidas sabiam que deveriam interromper o trabalho, mas não o fizeram.
Você jamais gostaria de morrer sendo considerado “um desses tipos de líder”.
Mas eles foram. Pessoas reais, como você e eu. Com nomes como Joe Kilminster, Larry Malloy e Jimmy Wayne Harrell. Líderes que poderiam, teriam e deveriam ter agido.
Mas não agiram.
Dizer “Pare”
A frequência com que a Autoridade para Interromper o Trabalho é realmente invocada no mundo do trabalho daria um estudo muito interessante. Primeiro, uma situação precisa ser reconhecida como perigosa o bastante para justificar a interrupção do trabalho. Depois, alguém precisa efetivamente tomar a decisão de fazer exatamente isso. Em seguida vem a solução: fazer desta maneira, em vez daquela.
Basta alguém coletar os dados, analisar os números e redigir o relatório.
Se algum gênio da pesquisa já fez exatamente isso, ainda não tive o prazer de conhecê-lo — ou conhecê-la. Se alguém tivesse feito, eu seria o primeiro a apertar sua mão: essa pessoa estaria tornando o mundo do trabalho um lugar muito mais seguro!
E, se esse relatório tivesse sido produzido, você acha que ele diria: “Toda vez que alguém considera que o trabalho não é seguro o bastante, ele é sempre interrompido”?
Eu também não.
Isso não torna os envolvidos diferentes de seus colegas da Morton Thiokol e da BP. Eles apenas tiveram a sorte de não morrer sendo considerados “um desses tipos de líder”.
Para ser sincero, não fosse pela graça de Deus, poderíamos ser nós.
O desastre acontece
Não deveria ser assim, mas interromper o trabalho pode virar manchete. Foi exatamente o que aconteceu recentemente, quando as Forças Armadas dos EUA decidiram interromper suas atividades. Você provavelmente viu a notícia: ela apareceu na primeira página do Wall Street Journal, acompanhada da foto de um navio de guerra: “Marinha ordena pausa global após colisões”.
Quanto à causa da pausa, alguns dias depois, na primeira página da mesma publicação, apareceram as fotos de dez jovens. Tenho idade suficiente para dizer que pareciam crianças, porque, para mim, era exatamente o que eram. Todos eram filhos de alguém: jovens na casa dos vinte anos que, não tenho dúvida, eram pessoas incríveis.
Lá estavam eles, cumprindo suas funções, trabalhando em um navio de guerra e ajudando a manter o mundo seguro. Ocorre uma colisão e, depois, um desastre. E eles se vão.
Agora, depois do ocorrido, o trabalho deles está sendo interrompido.
Segundo os altos oficiais do Pentágono (de onde se originou o termo brass), era hora de os “comandantes da frota se reunirem com seus líderes e seus comandos para... garantir operações seguras e eficazes em todo o mundo”. Hora de analisar o “ritmo das operações e mobilizações dos navios, o pessoal, a manutenção, os equipamentos e o treinamento do pessoal”.
Por quê? Porque esses fatores parecem estar por trás do problema.
Então, primeiro o desastre. Depois, o atraso. Creio que eles precisam assistir ao filme Sully, de Clint Eastwood. Ele carrega consigo a mensagem de um biscoito da sorte: “Um atraso é melhor do que um desastre”.
Você está pensando que esse é um problema da Marinha? Ou está pensando que isso se parece muito com os meus problemas?
Um atraso é sempre melhor do que um desastre
Considerando os tempos em que vivemos — e como o tempo é sempre essencial —, é hora de ir direto ao ponto. Se você assimilou esta história, tudo fica muito óbvio.
Não importa o quanto algo seja importante — salvar o país, salvar o projeto, salvar o cliente, economizar dinheiro, economizar tempo, preservar as aparências —, nada disso vale o custo de uma vida.
A decisão de interromper o trabalho é uma decisão. Isso acontece.
A decisão de não interromper o trabalho também é uma decisão. Isso acontece.
Com que frequência? Isso você terá que descobrir por conta própria.
Na maioria das vezes, quando os líderes NÃO interrompem o trabalho, tudo acaba bem. Não custa nada.
Mas coloca tudo em risco!
Paul Balmert
Agosto de 2017
