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Segurança & melhoria de processos: sinergia em movimento

30 de junho de 2017 / Balmert Consulting

Nesta edição do Managing Safety Performance News, temos algo especial para você: um de nossos instrutores e consultores escreve sobre outro assunto que conhece muito bem, conhecido no mundo dos negócios como “Lean Six Sigma”. Além de ensinar sobre gestão do desempenho em segurança, Bill Wilson, da nossa equipe, ensina há anos sobre melhoria de processos empresariais. Apesar das aparências, os dois temas têm muito em comum.

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“Somos aquilo que fazemos repetidamente. A excelência não é um ato, mas um hábito

~Autor desconhecido

Uma coisa que aprendi sobre trabalhar com consultoria é que é melhor você gostar da própria companhia. Recentemente, porém, eu estava viajando acompanhado: na companhia de Paul Balmert. Se você conhece Paul, sabe que isso significa que a conversa durante o jantar girou inteiramente em torno de segurança, execução e liderança.

Conhecendo minha experiência com a certificação Black Belt e o tempo que passei aprendendo e ensinando as metodologias Lean e Six Sigma, Paul pediu ajuda para converter a medida do Six Sigma (medição das taxas de erro por milhão) na Taxa de Frequência de Lesões. Serei o primeiro a admitir: isso provavelmente nunca havia passado pela cabeça de muitas pessoas no mundo da consultoria Lean Six Sigma.

E lá estávamos nós, resolvendo um problema matemático durante o jantar. No entanto, essa conversa abriu caminho para reflexões adicionais sobre a forte sobreposição entre os conceitos de liderança em segurança e os conceitos de gestão Lean.

Desafio número 1

Quem já participou do nosso curso de liderança, Managing Safety Performance, sabe qual é o maior desafio de um líder, certo? Exatamente: é o tempo. Isso nem sempre fica evidente para todos os líderes quando a pergunta é feita pela primeira vez, mas, com um pouco de reflexão e discussão, torna-se claro: o tempo é o fio condutor de todos os outros desafios que um líder consegue imaginar e acrescentar à longa lista de desafios. Com isso em mente, nosso foco se volta para situações em que um líder pode aproveitar ao máximo seu tempo limitado e ser o melhor líder possível. Chamamos esses momentos de Momentos de Alta Influência: eles ocorrem ao longo de todo o dia. Líderes perspicazes aprendem a reconhecer e aproveitar esses momentos especiais com seus liderados. Nenhuma novidade aqui!

Os líderes enfrentam muitas expectativas e prioridades. Às vezes, essas prioridades podem se transformar no que chamamos de “prioridades conflitantes”. A solução exige que o líder tome decisões difíceis, demonstre coragem gerencial e pratique o que gostamos de chamar de “liderança para cima”. Os líderes também enfrentam demandas concorrentes pelo seu tempo: sim, a segurança é a maior prioridade de todo líder, mas não é a única questão crítica na pauta diária de um líder.

Esse é o mundo real!

Antigamente, no meu universo da manufatura, eu costumava separar meu foco na eficiência da produção e na melhoria de processos do meu foco na segurança e na liderança em segurança. Na minha cabeça, eram áreas de trabalho distintas que exigiam ferramentas diferentes. Minha formação na área de manufatura e melhoria de processos baseava-se em um diploma de engenharia, experiência em liderança na linha de frente e aplicação de técnicas de melhoria de processos estabelecidas por W. Edwards Deming e vários outros. Os ensinamentos de Deming e o uso de técnicas de controle de processos tornaram-se a base da minha carreira na gestão de instalações. Esse trabalho acabou levando à certificação nas metodologias Lean e 6 Sigma.

Quando me tornei consultor, tive a oportunidade de direcionar meu foco para a segurança e a liderança em segurança. (Obrigado, Paul.) Ao longo de 40 anos, minha formação em segurança foi bastante tradicional, impulsionada por novas iniciativas corporativas, programas etc. Tudo válido e planejado para proporcionar melhores resultados.

No entanto, minha compreensão da liderança em segurança começou com a leitura de Alive and Well At The End Of The Day. Ler e reler esse livro me ajudou a compreender os conceitos fundamentais de liderança, com foco em segurança.

As ferramentas para melhoria dos processos empresariais

Nos últimos dois anos, tive a oportunidade de passar mais de oitenta dias em sala de aula com líderes de quinze empresas diferentes e centenas de instalações, ensinando liderança em segurança. O processo de aprendizagem em sala de aula resulta da apresentação de conceitos claros, da introdução e prática de ferramentas poderosas, combinadas com perguntas, excelentes discussões e debates. Esse estudo e essa discussão dos conceitos de liderança em segurança abriram meus olhos para a sobreposição óbvia e lógica entre os princípios e conceitos de liderança em segurança e as ferramentas básicas do Lean envolvidas na melhoria contínua de processos.

Embora a terminologia possa ser diferente, muitos dos conceitos e das ferramentas que impulsionam resultados são idênticos. Na liderança em segurança, enfatizamos a importância da execução — a parte prática de todo processo. A execução é mais bem gerenciada pela presença física do líder: gestão por meio de rondas.

No universo Lean, usamos o termo Gemba. Em japonês, significa “lugar real” — o lugar onde as ações reais acontecem. Em outras palavras, essa é a realidade! Em nossos termos de segurança, é onde a execução acontece!

Outro termo Lean é Gemba Kaizen: ir ao gemba — observar, identificar e resolver quaisquer problemas ali mesmo, em tempo real. Nosso termo de liderança em segurança: o uso deliberado e calculado do tempo e da presença de um líder para identificar, abordar e melhorar o desempenho. Nossas ferramentas de liderança em segurança: MBWA e o uso de SORRY +/-.

As raízes do Lean estão fundamentadas no método científico de investigação, aplicado de forma disciplinada e deliberada. O coração dessa metodologia é o ciclo PDCA. Em nosso treinamento de segurança, usamos esse Ciclo de Deming para desenvolver o conceito de Execução, que é a Etapa 2 do ciclo.

O termo gemba significa “lugar real”. Em nosso mundo, é o chão de fábrica. Quando um gestor quer conhecer a realidade, deve ir ao gemba, a fonte de todas as informações. Gemba kaizen significa ir ao gemba — observar, identificar e resolver problemas ali mesmo, em tempo real. Em nosso universo da segurança, isso incorpora os conceitos de MBWA, DGQ e o Princípio do Diálogo Honesto. Isso é fundamental para melhorar nossa Visibilidade do Desempenho — conhecer a realidade como ela realmente é!

Tanto o gemba quanto a execução têm como foco compreender a situação atual. “Ir ao gemba” para observar e compreender é uma maneira eficaz de verificar e atualizar a imagem mental de uma pessoa sobre como as equipes realizam tarefas ou como um processo funciona. A observação pessoal é uma forma poderosa de confrontar as próprias suposições, concepções equivocadas e vieses sobre como as tarefas são executadas.

Em outras palavras, essa é a ação de liderança de se alinhar à realidade.

Melhoria contínua

A melhoria contínua baseia-se no conceito de uma organização que aprende. Não confunda isso com treinamento. Citarei uma declaração maravilhosa de Dick Dusseldorp: “Treinamento é para cães e gatos; pessoas aprendem”. Uma organização que aprende é aquela em que indivíduos, equipes e a própria organização estão continuamente aprendendo e compartilhando a concretização de objetivos comuns.

A liderança em segurança, assim como o gemba, deve tornar-se uma base para a aprendizagem. A aprendizagem deve ser sinônimo de execução, a parte prática de todo processo. Isso é mais eficaz quando os funcionários têm a oportunidade de aprender praticando e fazendo, e não apenas sentados em uma sala de aula. A melhor experiência de aprendizagem envolve mãos e cérebro!

A autodisciplina é um dos pilares da gestão do gemba e da gestão da segurança. Funcionários autodisciplinados são dignos de confiança para manter ambientes de trabalho limpos, organizados e seguros e seguir os padrões existentes para alcançar as metas.

A pior coisa que um líder pode fazer é viver em um mundo isolado da realidade do gemba.

No entanto, o simples ato de estar fisicamente presente no gemba, ir ao chão de fábrica e observar, não é suficiente. Se um líder não souber o que está procurando, não conseguirá enxergar. Um líder pode ter a experiência que proporciona uma compreensão profunda. Entretanto, por muitos motivos legítimos, muitos líderes não possuem essa compreensão profunda. Quando essa experiência não existe, o líder precisa contar com uma comunicação eficaz com quem possui o conhecimento especializado. Mais uma vez, em nossos termos, o líder depende de Palavras & Ações e do Princípio do Diálogo Honesto.

A realidade é a realidade!

O gemba é o lugar mais importante da organização porque é a fonte da realidade. Se a sua mesa é o seu local de trabalho, você está com problemas! Manter contato próximo com o gemba (a realidade) é a primeira e mais importante ação de liderança para gerenciar e liderar a segurança com eficácia.

Aqui está o conflito: o maior desafio de um líder é o tempo. É aí que reside o valor da primeira regra de ouro do gemba: quando surgir um problema, vá primeiro ao gemba!

A chave para resolver um problema muitas vezes está no simples ato de observar: perceber um detalhe que ninguém havia notado. A melhoria contínua exige o uso eficaz, disciplinado e oportuno de ferramentas de resolução de problemas. A liderança eficaz em segurança segue exatamente o mesmo conceito.

Você se surpreende com o fato de que as melhores práticas para melhorar os processos empresariais — Lean Six Sigma — refletem muitas das mesmas práticas que os líderes seguem para melhorar o desempenho em segurança?

Eu também não.

Bill Wilson
Junho de 2017