Notícias sobre gestão do desempenho em segurança

Na estrada – novamente

30 de abril de 2018 / Balmert Consulting

Na edição deste mês do Managing Safety Performance News, direto de um restaurante na Sibéria, Paul examina as diferenças e semelhanças entre os desafios que supervisores e gestores enfrentam ao liderar pessoas para que trabalhem com segurança em todo o mundo, incluindo um desafio muito importante.

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“Um pequeno passo para o homem. Um salto gigantesco para a humanidade”

~Neil Armstrong

Se você quer conhecer o mundo, torne-se consultor. No último mês, meus colegas e eu estivemos ensinando nossas ferramentas de liderança em segurança a líderes de operações em lugares que incluíam uma mina no Canadá, uma fábrica de produtos químicos no Egito e fábricas de papel na Índia e na Sibéria. Acumular milhas de passageiro frequente é outro benefício.

Quanto a quem foi para onde, alguém achou que a Sibéria seria o lugar perfeito para enviar o diretor da consultoria.

Mas, caso você não saiba exatamente onde fica (eu não sabia), agora sei por experiência própria: cinco fusos horários a leste de Moscou, diretamente ao norte da Mongólia. São dois voos noturnos para ir daqui até lá.

No mínimo, isso prova que existe um mundo enorme lá fora.  Um mundo enorme, com uma infinidade de diferenças.

Ou pelo menos é o que parece. Então você sai para jantar com um grupo de líderes de operações: seus colegas. Todos se sentam, e o que acontece em seguida é totalmente previsível.

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Eles falavam russo; eu não falo russo. Não importa, eu sabia exatamente o que estava acontecendo: ligar para o escritório; ligar para casa. Muito provavelmente nessa ordem. No mundo industrial do século XXI, é assim que funciona, não importa onde você esteja.

Talvez o mundo não seja tão grande assim, afinal. Talvez a única coisa que nos separe seja uma enorme distância geográfica.

A pergunta de 64 dólares

Pergunte a uma sala cheia de líderes de operações, em qualquer lugar do planeta: “Quais são os desafios de segurança mais difíceis que vocês enfrentam todos os dias?”. As respostas são totalmente previsíveis: atitude, comportamento, adesão, conformidade, complacência, comunicação, prestadores de serviços, cultura, distrações, equipamentos, ambiente, foco, fazer com que as pessoas relatem o que realmente está acontecendo, reconhecimento de perigos............. pressão dos colegas.....treinamento......

Não é que exista um único problema; existe uma série de problemas. Problemas conhecidos, mais bem explicados pelo simples fato de que as pessoas são colocadas em um ambiente com perigos e espera-se que “façam o trabalho”.

E que “façam com segurança”.

O desafio enfrentado por líderes em todo o mundo é realmente simples assim. Pessoas são pessoas: nós, seres humanos, não temos uma predisposição natural para trabalhar com segurança. É assim que somos. E, não importa o que alguns possam pensar ou querer, não é possível eliminar por meio da engenharia todos os perigos do local de trabalho. Enquanto houver perigos, esses difíceis desafios de segurança precisarão ser gerenciados.

E se não forem?

Se um líder tiver sorte, nada acontece. É difícil atingir as pessoas: é preciso que muita coisa aconteça para alguém se ferir com gravidade suficiente para que o caso seja levado ao conhecimento de um líder. Porém, mais cedo ou mais tarde, a sorte cede às leis da probabilidade.

Um exemplo: um bom amigo do setor me enviou recentemente o relatório de um incidente fatal envolvendo uma equipe que trabalhava em uma instalação industrial. Houve múltiplas falhas: equipamento defeituoso, pessoas sem treinamento, perigos não identificados e procedimentos não seguidos. Por acaso, eram quatro daqueles difíceis desafios de segurança enfrentados por líderes em todo o mundo; eles simplesmente surgiram ao mesmo tempo e no mesmo lugar.

Equipamentos, treinamento e conformidade nunca são perfeitos, nem jamais serão. É por isso que a “identificação de perigos” é uma parte tão importante do processo de fazer com que todos voltem para casa vivos e bem ao final do dia. Em última análise, cabe às pessoas que executam o trabalho reconhecer os perigos capazes de feri-las: são elas que estão expostas ao risco.

Mas cabe aos líderes fazer com que isso aconteça.

Interromper o trabalho

Em certo sentido, o reconhecimento de perigos não precisa ser gerenciado: é algo que cada pessoa no planeta faz a cada minuto da vida. Nós, seres humanos, somos biologicamente programados para detectar perigos que possam nos causar danos: isso se chama autopreservação, algo que fazemos instintivamente.

Mas a maioria dos perigos que as pessoas enfrentam no trabalho não permite um “reconhecimento natural”. As pessoas precisam receber treinamento, orientação ou alertas sobre eles. E há ainda a questão dos vieses perceptivos: a contribuição do nosso cérebro para facilitar a vida, alterando a realidade para adequá-la às nossas necessidades. Tudo isso complica o que parece ser um processo simples: reconhecer um perigo.

Mas essa é outra história para outro dia.

Então, o perigo foi reconhecido. E agora?

Essa é, sem dúvida, a pergunta mais fácil deste teste. Todos sabem a resposta: tomam-se medidas para oferecer proteção adequada, de modo que o perigo não cause dano a ninguém que esteja trabalhando na tarefa.

Quanto a quais são exatamente essas “medidas”, raramente faltam opções para tornar algo seguro; há muito mais opções do que normalmente se percebe à primeira vista. Se não fosse assim, todos estaríamos discando “O” em um telefone de disco para falar com a telefonista – enquanto nossa casa pega fogo!

Alguma dessas medidas garantirá que ninguém se machuque ao executar esse trabalho?

Claro que não. Designe qualquer pessoa para executar qualquer tarefa, por mais segura e bem projetada que seja, e sempre haverá alguma possibilidade de algo ruim acontecer. Risco zero não existe; existe apenas mais risco ou menos risco.

A menos que o trabalho seja interrompido e não seja executado. Nesse caso, o potencial de dano é reduzido a zero.

Essa é a grande vantagem de interromper o trabalho: ou (a) são tomadas medidas para reduzir o risco, ou (b) o trabalho não é executado e, nesse caso, o risco se torna zero. Tudo isso representa um salto gigantesco para a segurança.

Basta um “pequeno passo” de nós, seres humanos: dizer “Pare”.

Dizer “Pare!”

Então, uma equipe é designada para executar uma tarefa que se revelou fatalmente falha. Será que ninguém viu nada de errado? É possível.

Ou talvez alguém que achou que havia algo errado não tenha dito nada... nem interrompido o trabalho.

Você e eu podemos especular; um investigador pode perguntar: “Algo pareceu errado para você?” “Você pensou em dizer alguma coisa?” “Você considerou interromper o trabalho?” Somente a equipe conhece a verdade, e seus integrantes podem decidir: “Você não consegue lidar com a verdade”.

O que se pode afirmar com alto grau de confiança é o seguinte: para a grande maioria das pessoas, interromper um trabalho não é fácil. Isso não é apenas uma opinião pessoal: venho perguntando sobre essa importante prática há anos e ouvi milhares de pessoas que trabalham em uma grande variedade de operações industriais em todo o mundo, incluindo algumas que são muito, muito seguras. Não deveria ser assim, mas é a realidade.

Se você acha que sua operação é diferente nesse aspecto, uma palavra de cautela: faça algumas verificações, obtenha dados, faça perguntas e observe alguns trabalhos que você suspeita não serem tão seguros assim.

Por outro lado, se você acredita que sua operação e as pessoas que trabalham nela são como todas as outras do planeta, meu conselho é descobrir como facilitar para que as pessoas “interrompam o trabalho” quando acharem que algo não é tão seguro assim.

Esse pequeno passo dado por uma pessoa pode muito bem salvar uma vida.

Paul Balmert
Abril de 2018