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Não no meu turno!

13 de dezembro de 2018 / Balmert Consulting

Na edição deste mês do Managing Safety Performance News, Paul relembra as lições aprendidas em sua última viagem do ano, que incluiu a preparação de um novo instrutor para a Balmert Consulting na Alemanha. Mas essa não é a história, não neste mês. Neste mês, Paul encontra liderança em segurança no lugar mais incomum e segue esse fio por cinquenta anos, até seu primeiro chefe e o gerente da fábrica.

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Você conseguirá tudo o que deseja na vida se ajudar um número suficiente de pessoas a conseguir o que elas desejam.”

     ~Zig Ziglar

O mundo é pequeno e fica ainda menor a cada dia. Peça um latte descafeinado no café da manhã de um bom hotel em Amsterdã, como fiz na semana passada, e o garçom, Mariano, que é da Romênia e fala inglês melhor do que eu, começa a conversar sobre a Starbucks.

“Vou levar minha esposa e meu filho à Itália nas festas de fim de ano. Estou ansioso para conhecer a Starbucks de lá.”

Fico imaginando o que Perry White, editor do Planeta Diário e antigo chefe de Clark Kent, estaria pensando: Pelos fantasmas de César! 

Consegui responder: “Bem, parece ótimo. A Itália é um país lindo. Vou para lá hoje à tarde. E sim, conheço bem a Starbucks. Lá nos Estados Unidos, há uma em cada esquina.” Minutos depois, meu latte grande foi servido. Em um copo bem alto, com vapor subindo. Exatamente como o café deve ser servido. Pelo menos na minha opinião.

Ao colocar a bebida na mesa, Mariano se desculpou: “Nossa máquina está com um problema. A espuma está quente demais. Se quiser, trago um pouco de leite frio para adicionar à bebida e resfriá-la.”

O quê, e estragar um latte perfeitamente bom? “Obrigado, mas está perfeito assim mesmo.”

Mariano insistiu: “Então, precisa ter muito cuidado ao colocar os dedos no copo. Ninguém se machuca, não no meu turno.”

Com isso, Mariano acabou de conquistar um lugar especial no meu Hall da Fama da Liderança em Segurança. 

Na teoria

Na teoria, gerenciar o desempenho em segurança deveria ser fácil. Ainda não conheci um líder — e conheci mais líderes do que praticamente qualquer pessoa que você já encontrou — que me dissesse não se importar se um de seus liderados voltasse para casa machucado. Também duvido seriamente que alguma das pessoas que trabalham para esses líderes ache que voltar para casa machucada seria uma boa ideia.

Isso significa que, em matéria de segurança, líderes e liderados estão em perfeito alinhamento. O que deveria facilitar o gerenciamento do desempenho em segurança. Tão fácil quanto respirar.

Parece fazer todo o sentido. E fazia para um líder que conheci três décadas atrás: ele era o recém-nomeado CEO de uma grande empresa química. Eu fazia parte do público que lotava a sala em sua primeira reunião geral, na qual ele descreveu suas novas e empolgantes ideias sobre estratégia empresarial, todas concebidas para tornar nossa empresa excelente.

Mas nem uma única palavra sobre segurança.

Isso não passou despercebido. A empresa era uma das fabricantes de produtos químicos de maior destaque em um setor no qual os líderes são conhecidos por levar a segurança a sério.

Alguém levantou a mão e perguntou a respeito: “Você não mencionou segurança em sua apresentação.”

O novo CEO ficou claramente incomodado: como alguém ousava estragar uma apresentação perfeitamente boa sobre estratégia empresarial com uma pergunta irritante sobre segurança? “Não deveria ser necessário falar sobre segurança. Deveria ser simplesmente algo que se faz sem pensar. Como respirar.”

Então, a segurança é tão fácil quanto respirar. É uma ótima teoria.  Pena que nem todos vivemos — e trabalhamos — em um mundo teórico. O mundo real tem sido terrivelmente cruel com aqueles que não estavam pensando em segurança.

Algo que Mariano entendia perfeitamente.

Na prática

Na prática, a segurança exige liderança. Se não exigisse, todos voltariam para casa vivos e bem ao final de cada dia.

Quanto ao que exatamente os líderes fazem para liderar e gerenciar bem a segurança, observo isso de perto e pessoalmente desde 1968. Foi quando comecei minha carreira industrial, trabalhando como auxiliar geral no turno da meia-noite em uma fábrica de produtos químicos. Para um encarregado chamado Andy Varab. 

Você nunca esquece seu primeiro chefe.

O Sr. Varab tinha a missão de gerenciar a produção, os custos, a qualidade e o cronograma de sua parte da linha de produção, além de manter em segurança este jovem de dezoito anos excessivamente motivado, porém inexperiente, para quem segurança não tinha nenhuma semelhança com respirar. 

Parece familiar? Claro que sim: cinquenta anos depois, pouca coisa mudou nesse aspecto. 

Quanto a fazer com que os liderados voltassem para casa vivos e bem ao final do dia, o Sr. Varab não se saiu particularmente bem: machuquei-me duas vezes na primeira semana. O suficiente para precisar de primeiros socorros. 

Em minha defesa, gostaria de ressaltar que ambos os acontecimentos foram imediatamente comunicados ao meu supervisor. Claro, você poderia observar: “Paul, você ainda não havia aprendido a lição sobre comunicar lesões: provavelmente terá problemas quando fizer isso.” E teria razão: essa acabou sendo a primeira grande lição que aprendi sobre liderança em segurança. Da maneira mais difícil. 

Tive sérios problemas, mas não com o Sr. Varab. Ele praticamente não disse nada sobre o que eu havia feito de errado. Foi nada menos que o gerente da fábrica quem me deu uma bronca daquelas: “Li seu nome no Relatório Semanal de Lesões. Não uma, mas duas vezes! Em sua primeira semana trabalhando aqui! Se essa é sua maneira de trabalhar com segurança nesta fábrica, você não vai trabalhar aqui por muito tempo.”

Cinquenta anos depois, ainda consigo ouvir essas palavras ecoando em meus ouvidos. 

Comparar e contrastar

Por algum motivo, desde meu primeiro encarregado, tenho o hábito de comparar e contrastar líderes: aqueles para quem trabalhei; aqueles ao lado de quem trabalhei; aqueles muito acima; aqueles nos níveis inferiores da cadeia de comando. Para mim, sempre esteve claro quais eram os bons e quais eram os melhores. 

É claro que meus critérios de avaliação nem sempre estavam alinhados aos de quem administrava a empresa; caso contrário, os melhores teriam sido sempre devidamente reconhecidos e recompensados. Na prática, nem sempre acontecia assim.

Quando se tratava de segurança, algo que devo destacar sobre os líderes que melhor gerenciavam o desempenho em segurança era que eles não ficavam apenas no discurso. Há muitas pessoas em cargos de liderança que dizem todas as coisas certas: “Segurança é um valor essencial.” “Segurança é nossa maior prioridade.” “Queremos eliminar as lesões.”

Mas o que mais importa para que as pessoas voltem para casa em segurança é o que esses líderes fazem para protegê-las. Corrigir problemas e responsabilizar as pessoas são duas das ações mais importantes que os líderes podem tomar para garantir que ninguém se machuque.

Não no meu turno!

Separados por cinquenta anos, Mariano e meu primeiro gerente de fábrica haviam compreendido isso.

Hora de agradecer

Adoro as festas de fim de ano! Elas são a combinação perfeita de comemorações e alegria com o encerramento de um ano. As festas proporcionam o tempo e a ocasião para olhar para trás; refletir sobre o que aconteceu — de bom e de ruim; agradecer pelo que foi bom; aprender com o que foi ruim — e também com o que foi bom. Espero que você faça isso. Eu sempre faço.

Em matéria de segurança, não há nada mais nobre para um líder fazer do que mandar todos para casa vivos e bem ao final de cada dia de trabalho do ano. Como observou Zig Ziglar, isso é “ajudar as pessoas a conseguir o que desejam”. Pelo menos na vida profissional. O que fazemos para ganhar a vida é exatamente isso: ganhar a vida. O que fazemos com nossa vida é o que mais importa.

Todos sabem disso. Mas o simples fato de você, como líder, conseguir alcançar esse objetivo nobre — “Ninguém se machuca, não no meu turno” — não garante que receberá um grande agradecimento de todos esses liderados agradecidos ao final do turno ou do ano.

Na prática, simplesmente não funciona assim. Mas poderia. 

Então, quero fazer esta sugestão. Como liderado, se você tiver a sorte de trabalhar para um líder que realmente gerencia bem a segurança, agradeça a essa pessoa. Seu chefe realmente está ajudando você a conseguir o que deseja de sua vida profissional. Um pouco de reforço positivo pelo bom comportamento nunca é ruim.

E preste atenção exatamente no que esse líder faz bem: é isso que faço desde 1968. Não é difícil, e prometo que você aprenderá coisas úteis.

E, se você é esse líder, realmente está ajudando seus liderados a conseguir o que mais desejam de sua vida profissional. Sim, todos deveriam valorizar isso; não, nem todos valorizam. 

Mas eu valorizo. 

Portanto, agradeço em nome deles.

E Feliz Natal.

Paul Balmert
Dezembro de 2018