Você talvez tenha notado que uma boa parte dos Estados Unidos enfrentou um caso sério de inverno nestas últimas semanas. Talvez você tenha sido uma das pessoas afetadas; eu certamente fui. Talvez não: se você mora em um lugar como o sul da Califórnia, o sul da Flórida ou, por sinal, no restante do mundo, talvez nem tenha percebido, muito menos se importado.
Isso eu entendo perfeitamente. Afinal, todo clima é local.
Mas, não importa onde você more, você não está imune a um conjunto de riscos naturais. Eles apenas são diferentes, dependendo de onde você vive. O sul da Califórnia tem terremotos e incêndios florestais. O sul da Flórida tem furacões e dolinas. Há deslizamentos de terra na região de Puget Sound; vulcões na Ilha Grande do Havaí; tornados no Meio-Oeste. E isso somente nos Estados Unidos.
Os riscos naturais são uma parte inevitável da vida em um planeta vivo; sim, eles são ruins, mas a alternativa seria muito pior.
No que diz respeito aos riscos, ao menos os naturais são bem conhecidos e compreendidos e, em alguns casos, até previsíveis. Na primavera de 1980, os moradores das proximidades do Monte St. Helens foram alertados para sair da zona de perigo. A maioria saiu; alguns não. Descanse em paz, Harry R. Truman, 18 de maio de 1980.
Quando você sabe que o calor do verão está chegando ao Arizona ou o frio do inverno à Sibéria, prepara-se para o risco, seja protegendo-se do calor e do frio com isolamento térmico, seja saindo completamente do local. É isso que pessoas sensatas fazem.
Por outro lado, quando você tem certeza de que o risco não chegará até você, a preparação é um desperdício de duas coisas escassas: tempo e dinheiro. Nenhuma pessoa sensata que more na Ilha Grande investiria em uma pá de neve, a não ser como presente de brincadeira para o novo vizinho que acabou de chegar de Buffalo, imaginando que ele tivesse deixado a sua para trás.
Tudo isso faz perfeito sentido, até que algo imprevisível acontece. Como um inverno no Texas tão rigoroso quanto o de Dakota do Norte. Então, instala-se o caos; todos apontam o dedo para o que deveria ter sido feito, mas não foi.
Tudo isso é totalmente previsível.
Quando se trata de riscos naturais, o inesperado pode acontecer. Exatamente como pode acontecer com os riscos criados pelo ser humano que existem no seu trabalho.
Sobre os Riscos
No mínimo, as situações envolvendo riscos naturais são instrutivas para compreender o processo de gerenciamento dos riscos encontrados no seu local de trabalho. Então, vamos lá.
Começando pelo básico: um risco é uma fonte de perigo, algo que pode ferir você. A natureza cria uma variedade formidável deles: terremoto, furacão, tornado, deslizamento de terra, inundação, erupção vulcânica, tsunami. Quanto ao motivo de a natureza ser tão boa nisso, é porque o planeta possui um suprimento abundante dos dois ingredientes básicos necessários para criar um risco: objetos — terra, água, ar — e energia. Vivemos em um planeta vivo.
No que diz respeito ao treinamento sobre riscos, quando chegamos à idade adulta já sabemos tudo sobre esses riscos. Há uma história documentada dos piores casos com os quais podemos aprender, como a erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C. Talvez até tenhamos vivenciado um ou dois bem de perto. Posso marcar na minha lista furacão, terremoto e deslizamento de terra. Já estive no Monte St. Helens. Só não em 18 de maio de 1980.
Se você quiser classificar esses riscos pela combinação do grau de dano que são capazes de causar e do número de pessoas que podem ser afetadas — o que não é uma maneira ruim de pensar sobre riscos —, esses estão entre os maiores encontrados no planeta.
Partindo para as questões práticas, dentre a lista de riscos naturais, a quais você dedica muita atenção e gerencia cuidadosamente? Sua resposta: àqueles que você acredita serem mais propensos a causar danos a você.
Quanto a quais são eles, depende de onde você mora. Digamos, por exemplo, que você more no Missouri: você se prepara para tornados na primavera e para o frio no inverno. Não há necessidade de prestar atenção a vulcões, tsunamis ou terremotos.
Isso nunca vai acontecer, certo?
É aí que está o problema: qual é o seu grau de certeza de que esses riscos nunca atingirão o lugar onde você mora? Pelo menos não durante a sua vida, que é a base racional para fazer esse cálculo. Você tem certeza absoluta — ou apenas uma boa dose de certeza?
Há uma grande diferença. Essa diferença pode ser resumida em uma palavra: probabilidade.
A Respeito da Probabilidade
Entre os princípios de liderança e gestão que ensinamos e sobre os quais escrevemos, coloco a palavra probabilidade na pequena lista dos Mais Mal Compreendidos. Caso tenha interesse — e deveria ter —, os outros são responsabilização e controle. Até os especialistas ficam perplexos com a probabilidade. Eles produziram estimativas extremamente equivocadas de probabilidade e deram orientações erradas sobre mitigação de riscos.
Há duas décadas estou em uma cruzada para esclarecer essa questão, pois esse equívoco pode ser — e já se mostrou — fatal. Você não consegue gerenciar com eficácia aquilo que não compreende. Isso não impede as pessoas de tentarem, o que explica grande parte de seus fracassos.
A probabilidade não precisa ser tão difícil. Se um risco é uma fonte de perigo, segue-se que a probabilidade é a chance de que ele se concretize.
É simples assim! Tornar a probabilidade mais complicada do que isso não serve a nenhum propósito útil. Portanto, não faça isso.
Há também a questão da gravidade: o grau do dano e o número de pessoas afetadas. Acreditamos que podemos prever os efeitos de terremotos, tsunamis, deslizamentos de terra e outros riscos naturais. Mas, na realidade, a gravidade depende muito do local onde o evento ocorre. Um grande terremoto em uma região remota do Alasca é pior do que um pequeno furacão em Nova Orleans?
A resposta depende de os diques resistirem ou não.
Risco/Probabilidade/Gravidade
Quando se trata de riscos naturais, todos sabem o que temer. Quanto à probabilidade — a chance de determinado risco chegar à nossa porta —, temos uma noção baseada na ciência, na história, na experiência e talvez em um pouco de intuição.
Achamos que somos bons em calcular probabilidades. Talvez sejamos, mas então somos surpreendidos e descobrimos o contrário. Acredite em alguém que mora aqui: há um mês, pouquíssimos de nós no Texas consideravam a possibilidade de o inverno mais frio em séculos chegar até aqui.
Isso nunca vai acontecer……até acontecer. No meu caso, no fim de fevereiro, justamente quando as árvores começavam a brotar para a primavera!
Caso você pense que errar no cálculo da probabilidade seja um problema apenas para quem vive no coração do Texas, voltemos ao exemplo de alguém que mora no Missouri. É o estado conhecido como “Mostre-me”.
Ao decidir quais riscos levar mais a sério, alguém que mora em New Madrid fará sua lista com base na gravidade potencial e na probabilidade. E é assim que deve ser. Logicamente, construirá um abrigo contra tornados — essa região faz parte do Corredor dos Tornados — e garantirá que a casa esteja devidamente preparada para o inverno.
Por outro lado, essa pessoa não perderá um instante pensando em instalar um alarme de tsunami ou em reforçar contra terremotos os viadutos da Rodovia Interestadual 55.
Talvez devesse.
Você sabe o que aconteceu em New Madrid, em 1811? Um terremoto na faixa de magnitude 8,0! Entre os efeitos colaterais desse enorme tremor de terra estavam deslizamentos e um tsunami no rio Mississippi. Agora, os especialistas dizem que há aproximadamente 10% de chance — ou seja, probabilidade — de um evento semelhante se repetir nos próximos cinquenta anos.
No caso da nossa tempestade de inverno aqui no Texas, é difícil imaginar que os danos causados por uma onda de frio tenham sido piores do que os de um furacão, mas foram. Se tivéssemos nos preparado da mesma forma que nos preparamos para um furacão — ou como alguém em Buffalo se prepara para o inverno —, não teria sido assim. Estava frio, mas não tanto.
Mas, em geral, não nos preparamos, pois tínhamos certeza de que aquele risco natural não chegaria aqui.
De Volta ao Seu Trabalho
Feitas essas observações, é hora de ligar os pontos e aplicar esta análise para ajudar você a gerenciar melhor o desempenho em segurança. Esse é sempre o objetivo.
Primeiro, no caso dos riscos naturais, existe uma lista de riscos conhecidos . Para eles, a lista é curta. Para os riscos encontrados no seu trabalho, a lista é longa. Mas, em ambos os casos, é uma conhecidos lista. Raramente se descobre um risco novo, jamais conhecido.
Para os riscos — naturais e ocupacionais —, a raiz do desafio está na probabilidade. Se soubéssemos com certeza que o risco se concretizaria, tomaríamos as precauções necessárias para nos preparar e nos proteger. Mas, para muitos riscos, não temos certeza. Por isso, estimamos, prevemos, supomos, presumimos, ignoramos. Se optássemos sistematicamente pela cautela, estaríamos em melhor situação. Mas raramente fazemos isso, o que nos deixa surpresos e despreparados.
Quando somos surpreendidos e estamos despreparados, o dano causado pelo risco é maior, muitas vezes pior do que o previsto.
Por fim, há uma grande diferença digna de nota entre os riscos naturais e aqueles encontrados no seu trabalho: você não pode controlar a natureza, mas tem certo grau de controle sobre a maioria dos riscos encontrados no seu trabalho.
Conclusão: adotar a prática de considerar a pior coisa que poderia acontecer e optar sistematicamente pela cautela não é a coisa mais fácil de fazer. Fazer isso provavelmente não conquistará muitos admiradores. Mas essas práticas podem ajudar a reduzir os danos causados pelo risco e, no caso dos riscos ocupacionais, podem reduzir a probabilidade de ele se concretizar.
Ou seja, mitigação de riscos e redução da probabilidade.
Paul Balmert
Fevereiro de 2021
