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Mudando Hábitos

30 de junho de 2020 / Balmert Consulting

Neste mês, Paul explora os hábitos. Não apenas as mudanças que cada um de nós fez em resposta à COVID-19, mas, sobretudo, a natureza e o valor dos hábitos relacionados a garantir que as pessoas voltem para casa vivas e bem ao fim do dia. Ele investiga os hábitos aplicados à gestão de riscos e à obtenção de conformidade e nos deixa alguns Conselhos Muito Bons.

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Nada precisa tanto de reforma quanto os hábitos dos outros.     ~Mark Twain  

Partindo do princípio de que são necessários 21 dias para mudar um hábito, três meses vivendo no novo normal da pandemia são tempo mais do que suficiente para você ter mudado alguns hábitos e criado outros. Uma boa pergunta a fazer a si mesmo seria: “Das mudanças que fiz, quais se transformaram em hábito? E quais mudanças fiz que jamais se tornarão automáticas?”
 
Não sei o que você pensa sobre a segunda pergunta, mas mal posso esperar para não precisar mais usar máscara cirúrgica ao fazer compras no supermercado.
 
Onde moro, usar máscara deixou de ser uma questão de escolha; agora é lei. O equipamento de proteção individual foi exigido como uma das formas de reduzir o risco da COVID. É claro que existem outras maneiras e meios de reduzir o risco: limpar, desinfetar, manter distância e ficar em casa. Quanto mais medidas desse tipo você adotar, menor será a probabilidade de contrair a doença. 
 
Isso deve soar familiar: diante dos perigos encontrados no trabalho, você toma medidas assim o tempo todo. Isso se chama gestão de riscos.
 
Quanto à exigência do uso de máscaras no supermercado, agora há avisos afixados de forma bem visível nas portas de entrada.  Isso não significa que a regra garanta que todos os que entram usem máscara. 
 
Entende o que quero dizer quando afirmo que isso soa familiar?
 
Outro dia, não pude deixar de notar dois outros clientes que não estavam cumprindo a regra. Um deles tinha seus vinte e poucos anos e empurrava tranquilamente o carrinho pelo corredor, vestindo uma camiseta com a palavra DOPE em letras grandes na frente.  É sério. O outro tinha idade suficiente para ser pai dele: circulava rapidamente pela loja usando roupas resistentes ao fogo que exibiam com destaque o nome da excelente empresa que o empregava. 
 
Sério? Parecia uma cena de um programa de comédia de sábado à noite. Exceto pelo fato de que não era comédia: eles estavam colocando a saúde pública em risco.
 
E assim vão por água abaixo os novos hábitos.

Sobre os Hábitos
 
Nos círculos de gestão, hábito é uma daquelas palavras usadas nas conversas sem que se pense muito no que ela realmente significa. Coloco hábito na minha lista de abreviações favoritas — termos técnicos usados por líderes para os quais não existe definição ou entendimento comum. Hábito está nessa lista ao lado de responsabilização, atitude, controle, cultura, mitigar e risco. Se você consegue explicar cada uma dessas abreviações em linguagem simples — de uma forma que um aluno do quinto ano consiga entender — você é meu herói. 
 
E, se não consegue, por que está usando alguma dessas abreviações?
 
Quanto ao hábito, seria ele um comportamento comum e praticado rotineiramente? Como levantar de manhã, vestir-se e sair para o trabalho. Ou seria algo feito sem pensar conscientemente? Hoje em dia, a maioria de nós coloca o cinto de segurança sem sequer pensar que está fazendo isso, mas nem sempre foi assim. Tenho idade suficiente para ter ouvido os argumentos de quem se opunha ao uso do cinto por temer ficar preso dentro de um veículo em chamas.
 
Sim, isso poderia acontecer, mas qual é a probabilidade? 
 
Ao definir hábito, há uma enorme diferença entre comportamento consciente e inconsciente. Se não fosse assim, haveria dias em que você já estaria no meio do caminho para o trabalho antes de perceber: “Ah, hoje é sábado, não é? Estou de folga.” 
 
Quando foi a última vez que algo assim aconteceu?
 
O Valor do Hábito
 
Não há nada de errado em considerar hábito um comportamento consciente, rotineiro e comum. Todos nós temos comportamentos rotineiros e corriqueiros que adotamos porque queremos ou porque precisamos. Levantamos de manhã e saímos para o trabalho cedo o suficiente para garantir que chegaremos no horário. Naturalmente, quando chega o fim de semana, dormimos até mais tarde porque não precisamos acordar cedo para chegar ao trabalho no horário. 
 
Chamamos esses comportamentos de “hábitos”. No trajeto para o trabalho, seguimos uma rota e respeitamos o limite de velocidade. Quanto ao motivo pelo qual temos o hábito de respeitar o limite de velocidade — ou, ainda, de adotar qualquer bom comportamento que se encaixe na definição de hábito, como usar máscara ao entrar em um supermercado onde ela passou a ser obrigatória —, temos nossas razões. Você, por exemplo, pode ser um motorista muito cuidadoso. Talvez tenha cuidado simplesmente porque não quer sofrer um acidente, machucar-se ou ferir outra pessoa. Mas suponha que você respeite o limite de velocidade apenas porque não quer receber uma multa. Ou porque já sofreu um acidente grave ou recebeu multas demais no passado por dirigir rápido. 
 
Seja qual for o motivo, houve uma escolha por adotar um bom comportamento. Será que o motivo pelo qual alguém escolhe fazer a coisa certa — respeitar o limite de velocidade ou usar máscara em um supermercado — realmente importa para você? Ou importa, ou não importa. 
 
Mas suponha que você dirija há tanto tempo e conheça tão bem o trajeto para o trabalho que, assim como ao colocar o cinto de segurança, mantenha a velocidade correta sem sequer precisar pensar nisso.  

Essa é a definição mais restrita de hábito: um comportamento realizado sem pensamento consciente. Um estudo constatou que 40% das nossas rotinas diárias normais se enquadram nessa categoria: comportamentos adotados não por escolha, mas por hábito!
 
Seja pela definição ampla ou pela restrita, aquilo que fazemos por hábito exerce um papel importante em nossa vida. Considerando o impacto dos hábitos em nossa vida e sua contribuição para nossa saúde, segurança, sucesso e qualidade de vida, esse papel se torna ainda maior. 
 
As pequenas coisas têm grande importância, um fenômeno identificado há séculos por forças militares do mundo inteiro. Elas o chamam de disciplina, no sentido de impor ordem, ter obsessão pelos detalhes e insistir que as coisas sejam feitas de determinada maneira. “Cuide das pequenas coisas, e as grandes tendem a se resolver por conta própria.”
 
Transforme o comportamento seguro em hábito, e ele não será ligado no início do dia e desligado ao final. Por hábito, aquele cliente do supermercado que usava o uniforme da empresa estaria de máscara por ser obrigatório e nem cogitaria agir de outra maneira.
 
Essa é uma maneira perfeita de compreender o objetivo e o valor do hábito.
 
Mudando Hábitos
 
Com o tempo, muitas dessas novas exigências e expectativas decorrentes do atual nível de precauções sanitárias ficarão no passado. Com elas, muitos desses chamados novos hábitos que todos desenvolvemos desaparecerão. 
 
Mas nem todos. Certos comportamentos continuarão porque escolheremos conscientemente mantê-los. Você pode decidir que reuniões de equipe pelo Zoom são uma ótima ideia. O comportamento pode se tornar algo que fazemos sem sequer perceber. Imagine a tradição do aperto de mão cedendo lugar ao contato visual, a um sorriso e a algumas palavras gentis.  O tempo dirá. 
 
Como todos somos criaturas de hábitos, temos hábitos bons e ruins. Colocar o cinto de segurança e segurar o corrimão são bons hábitos. Dirigir acima do limite de velocidade e falar ao celular enquanto dirige — quando feitos rotineiramente — são exemplos de maus hábitos.  Se deseja melhorar sua vida, cultive bons hábitos e mude os ruins. A mesma lógica se aplica à gestão do desempenho em segurança, tanto o seu quanto o de seus liderados.
 
O hábito — comportamento rotineiro e comum, realizado com ou sem pensamento consciente — começa de maneira intencional. O comportamento desejado precisa ser reconhecido; o comportamento problemático precisa ser visto como um problema. Em seguida, vem a decisão de adotar o comportamento correto. Por fim, há o investimento de energia necessário para agir de forma diferente.
 
Acha que isso é fácil?
 
Um novo comportamento muitas vezes parece estranho, desconfortável, difícil e demorado. O comportamento antigo era tão fácil que não exigia reflexão. Era um hábito. 
 
Talvez você não goste nem um pouco do novo comportamento que está adotando.  É evidente que é isso que você está fazendo: “adotando um comportamento”. Isso definitivamente não combina com você. Mesmo assim, você faz, porque quis e decidiu fazer. Ou porque precisou: mude — ou sofra as consequências!
 
É assim que funciona. 
 
Pense nisso na próxima vez que estiver tentando mudar seus hábitos. Ou os hábitos de seus liderados.
 
Paul Balmert
Junho de 2020