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Anedotas

31 de maio de 2017 / Balmert Consulting

Na edição deste mês do Managing Safety Performance News, Paul reflete sobre alguns dos grandes líderes que conheceu durante sua carreira profissional e ao ensinar líderes como você. Ele compartilha algumas das histórias que ouviu ou das quais participou quando aconteceram. A perspicácia de Paul não estava apenas em ser um grande observador, mas também em ter uma excelente memória para detalhes e saber analisá-los em busca do que poderia aprender.

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“Sabemos muito — porque já vimos muito.”

~Farmers Insurance

Anedota: narrativa curta de um episódio interessante, divertido ou biográfico.

Um dos grandes privilégios da minha vida é poder passar um tempo com vocês. Por “vocês”, refiro-me aos cerca de cinquenta mil líderes com quem passei algum tempo nos últimos dezessete anos, conversando sobre os desafios de mandar todos para casa vivos e bem ao fim do dia. E sobre o que é necessário para alcançar o objetivo mais importante de todo líder empresarial do planeta: segurança.

Que sorte a minha!

Você talvez pense que nasci em berço de ouro, mas não fui nenhum privilegiado. Esse privilégio foi conquistado ao longo de trinta anos de aprendizado do seu lado desta relação. Tudo começou no turno da meia-noite, trabalhando como Auxiliar Geral, em julho de 1968. Nas três décadas seguintes, minha “boa sorte” foi poder trabalhar ao lado de literalmente mil líderes: pessoas que eu conhecia pelo nome e observava em ação. Se tenho algum mérito especial, foi simplesmente prestar atenção.

E eu prestei atenção. Era fácil perceber quem era realmente bom em liderar e o que essas pessoas faziam para liderar tão bem. Ao comparar o que os melhores faziam com seus supostos “pares”, as melhores práticas de liderança se tornavam surpreendentemente óbvias.

Como você pode imaginar, nesses quarenta e sete anos de experiência somados, vi muita coisa e, com isso, aprendi muita coisa.

Aqui estão algumas anedotas reunidas ao longo do caminho: alguns relatos em primeira mão e outros em forma de histórias contadas a mim por líderes que eu admirava e respeitava.

A Defesa da Segurança

 

Uma das coisas que os melhores líderes fazem é explicar. Colocar as coisas em perspectiva. Dar conselhos realmente bons. As palavras de um líder podem permanecer vivas muito depois de ele partir para sua recompensa.

Aqui está uma dessas anedotas, enviada a mim por um líder que teve uma carreira de muito sucesso na gestão de uma das empresas mais respeitadas do setor. Era sobre uma conversa que ele teve no início da carreira.

Um Momento de Grande Influência que vivi quando era um jovem supervisor de produção, determinado e focado na carreira, teve enorme impacto sobre mim. Certo dia, meu chefe, Steve, veio até mim e disse: “Precisamos conversar”. Entrei no escritório dele, e ele fechou a porta. Eu sabia que havia algo acontecendo.

Steve disse o seguinte: “Sei que você está tentando fazer o melhor trabalho possível e que é um sujeito muito ambicioso, mas preciso lembrá-lo de uma coisa. Todas aquelas pessoas lá na matriz esquecerão amanhã que você bateu um recorde de produção hoje. Mas há algo que jamais esquecerão: se alguém que trabalha para você sofrer um ferimento grave.”

Foram palavras que nunca esqueci. A mensagem era clara. Não posso dizer que sempre agi de acordo com ela, mas essas palavras permaneceram comigo pelo resto da carreira. Essa foi a maneira de Steve de defender a importância da segurança.

Ele era um grande líder.

É claro que as ações falam mais alto que as palavras, mas isso não significa, nem por um instante, que as palavras de um líder não tenham importância.

O Caráter Revelado
 

Hoje em dia, há uma tendência popular de falar sobre valores, listar valores e comunicar valores. Quando estou nas instalações de um cliente, é quase certo que haverá um cartaz na parede descrevendo os valores corporativos. Sempre faço questão de lê-lo.

Mas a questão sobre valores é a seguinte: empresas não têm valores; quem tem valores são as pessoas que dirigem a empresa. Quanto a quais são realmente esses valores, suponho que você possa ler o cartaz, mas sempre será melhor observar como esses líderes se comportam.

Os valores são revelados — não “comunicados”.

Vinte e cinco anos atrás, recebi uma proposta de trabalho interessante. Um dos maiores chefes da minha empresa queria privatizar uma grande parte do negócio. Ele montou uma equipe para administrar a operação, e eu fui escolhido para ocupar um dos cargos importantes na nova empresa.

Que sorte a minha.

É claro que nada seria oficial até a conclusão do negócio. E isso exigia uma avaliação do valor da empresa: “valuation” era o termo, e os avaliadores eram um grupo de professores universitários de finanças que faziam esse tipo de trabalho profissionalmente.

Eles queriam nos encontrar para jantar. E que reunião importante! Era uma reunião tão importante quanto se pode imaginar. Naturalmente, coube a mim levar meu chefe — o futuro CEO e Presidente do Conselho — até o encontro.

Estávamos atrasados, presos em um congestionamento parado na Interstate 84. Como era o tipo de sujeito que gostava de comandar e controlar, o chefe começou a dar ordens... para mim.

“Paul, quero que leve este carro pelo acostamento até a próxima saída. De lá, conheço um caminho alternativo para chegar lá.”

E, presumindo o que seria necessário para fechar o negócio: “Se você levar uma multa, não tem problema. Eu cuido do pagamento.”

Ao ler isso, aposto que sei exatamente o que você está pensando: Paul, você foi multado?

Você está raciocinando muito mais rápido do que eu. Precisei pensar um pouco sobre isso:

Será que o Financeiro realmente pagaria esse item em um relatório de despesas?

Mesmo que pagassem, a infração ainda ficaria no meu prontuário.

E... que tipo de líder sequer pensaria em dizer uma coisa dessas?

Certamente não era um líder para quem eu algum dia gostaria de trabalhar. Não com aqueles valores.

Então, não fiz nenhuma das duas coisas. Não dirigi pelo acostamento. Nem aceitei o emprego com aquele líder.

Não Julgue um Livro...
 

Suponha que eu reunisse uma amostra representativa dos líderes realmente bons que vi em ação. Que os colocasse diante de uma plateia formada por você e seus colegas, mas sem dizer quem eram nem o que tinham em comum. “Aqui estão dez pessoas que conheço. O que vocês acham que elas têm em comum?”

Talvez você levasse muito tempo para descobrir a resposta: são realmente bons em liderar. Nem todo líder tem aparência de líder.

Alguns anos atrás, durante um evento com um bom cliente, fui informado de que o CEO chegaria de avião naquela noite e falaria na manhã seguinte. “Aliás, ele é um cara muito legal.” Aposto que ouvi isso de meia dúzia de pessoas.

Cheguei na manhã seguinte, ansioso para conhecer um CEO amplamente considerado um cara legal. Examinando a multidão, não vi ninguém que parecesse o chefão. Mas, pelas minhas contas, havia um encarregado a mais na sala do que no dia anterior. Aquele sujeito de aparência desleixada, de jeans e botas gastas, só podia ser outro líder da linha de frente que havia acabado de voltar tarde de uma viagem de caça no oeste do Texas.

Você pode imaginar como essa história termina.

Depois de ser devidamente apresentado, aquele CEO caminhou até o púlpito e manteve cada um de nós atento a todas as suas palavras pelos quarenta e cinco minutos seguintes. Começou com a observação: “Quando você é líder, as pessoas estão observando você” e encerrou com o conselho: “Como líderes, precisamos facilitar para que as pessoas façam a coisa certa e dificultar que não a façam.”

Esse líder era fantástico! Algumas das melhores coisas que já ouvi de qualquer líder, em qualquer lugar do planeta.

Firmeza: Nem Sempre Visível
 

Pela aparência, os líderes não se distinguem do restante de nós: têm todos os tipos de tamanho, forma e conjunto de habilidades. Alguns são brilhantes ao explicar e aconselhar. Outros são mais do tipo forte e calado, mas lideram de maneira extraordinária pelo exemplo. Conheço bem os dois tipos.

Não cometa o erro de pensar que todo grande líder é bom em tudo. Alguns são até extremamente entediantes.

Mas a única coisa que todos os melhores têm em comum é firmeza: a disposição de defender princípios, tomar decisões difíceis e fazer o que é certo, mesmo quando não é popular. É por isso que você não consegue realmente saber quem lidera melhor apenas pela aparência... ou mesmo pelas palavras. É preciso vê-los em ação.

Aqui está uma história que me contaram sobre um desses líderes. O tipo que você descreveria como durão e exigente: um sujeito que não tolerava rodeios. O tipo de pessoa perto da qual você nunca conseguia relaxar completamente.

Durante um jantar de negócios, um dos assuntos sobre os quais ele conversou conosco foi segurança. Nunca esquecerei suas palavras: “Você não leva a segurança a sério até ter demitido um supervisor por uma questão de segurança.”

O argumento dele era que sempre éramos rápidos em punir um funcionário horista por uma violação de segurança, mas o supervisor desse funcionário sofria poucas consequências, quando sofria alguma. A demissão de um supervisor por motivos de segurança envia à organização uma mensagem muito poderosa sobre o quanto levamos a segurança a sério.

Ele também estava dizendo que, como supervisor, você é sempre responsável pelos comportamentos de segurança da sua equipe e deve prestar contas por eles. Alguns supervisores têm dificuldade em responsabilizar sua equipe pela segurança e nunca compreendem sua importância. São esses que precisam ser identificados e tratados. Às vezes, a demissão é a única solução.

Uma mensagem severa e inquietante.

Às vezes, é disso que se precisa.

Um dos líderes mais gentis que conheci em toda a minha vida não tinha medo de tomar uma decisão difícil. Ele trabalhava em uma parte do mundo onde a cultura local era fazer qualquer coisa, menos seguir as regras. O conselho desse líder sobre o assunto era simples: “Quando você pisa nesta fábrica, está no MEU país. E, no meu país, seguimos todas as regras, o tempo todo.”

Certo dia, um de seus subordinados respirou fundo, entrou em um espaço confinado e resgatou um colega que havia desmaiado devido ao nitrogênio. O socorrista foi um herói.

Mas ele violou uma das regras de segurança mais importantes que existem. Alguns dias depois, o herói estava procurando um novo emprego.

Firmeza. Às vezes, é exatamente disso que se precisa.

Paul Balmert
Maio de 2017