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Sobre reuniões de segurança

30 de junho de 2022 / Balmert Consulting

Neste mês, Paul analisa as reuniões de segurança. Antes que você saia dizendo que já participou e conduziu centenas delas e sabe fazê-las bem, saiba que ele escreveu isto exatamente para você. As reuniões de segurança devem fazer a diferença e, para saber se estão fazendo, é preciso saber avaliá-las. Paul oferece uma ferramenta para que você possa fazer isso.

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“Deixei ordens para que me acordassem a qualquer momento durante uma emergência nacional – mesmo que eu esteja em uma reunião de gabinete”       ~Ronald Reagan  

Faça uma lista de suas próprias práticas pessoais de liderança em segurança – as coisas que você faz como líder para levar outras pessoas a trabalhar com segurança – e “conduzir reuniões de segurança” provavelmente será uma das primeiras que você anotará. Supervisores e gerentes do mundo todo realizam reuniões de segurança regularmente: de diálogo diário, no local de trabalho, de turno, de área ou de departamento. Elas são realizadas diariamente, semanalmente ou mensalmente. Podem ser formais: passa-se uma lista de presença para documentar a participação; ou informais: uma rápida conversa antes de iniciar uma tarefa importante.

Em todos os seus formatos e locais, a reunião de segurança é uma prática essencial de liderança no mundo industrial. Não há novidade nisso: tem sido assim desde quando praticamente qualquer pessoa consegue se lembrar. 

Veja o meu caso, por exemplo. Faço isso há tanto tempo quanto praticamente qualquer pessoa que você possa citar.

Lembro-me de participar de reuniões de segurança no início da minha carreira industrial. Isso foi nos anos 60. Naquela época, como estudante universitário, passei minhas férias de verão trabalhando como auxiliar geral em uma fábrica de produtos químicos. Uma vez por mês, interrompíamos a produção, íamos até a sala de descanso e assistíamos a um filme sobre segurança. Os filmes eram exibidos em um daqueles antigos projetores de rolo que hoje você encontra em lojas de antiguidades. Vou poupá-lo dos detalhes; basta dizer que os filmes eram explícitos o suficiente para deixar uma impressão duradoura. 

Uma impressão ainda maior foi causada pelo que aconteceu em uma reunião mensal de segurança de um departamento em uma fábrica de produtos químicos. Isso foi nos anos 70. O membro da equipe responsável pela reunião de segurança – nós, colegas, nos revezávamos, o que nem sempre é uma boa prática – convidou um policial estadual da Louisiana para falar sobre segurança com armas de fogo. Entenda: isso foi numa época em que as placas dos veículos do estado alardeavam a Louisiana como um “paraíso” esportivo. Se você duvida de mim, assista ao filme Tubarão. Você verá a prova.

Com a reunião em andamento, sem que o público soubesse, o bom policial demonstrou o princípio “Trate toda arma como se estivesse carregada” disparando uma arma “acidentalmente”, bem diante dos trinta participantes sentados na reunião.  O som na sala de conferências foi ensurdecedor!

Como seria de esperar, a gerência da fábrica também ficou furiosa.

Embora as reuniões de segurança ocasionalmente tenham produzido momentos memoráveis, a maioria não exerce praticamente nenhuma influência. 

Isso levanta uma questão: como tempo é dinheiro, qual é o sentido de realizá-las?

No princípio

Gosto de imaginar a primeira reunião de segurança já realizada. Ela pode ter acontecido em uma siderúrgica de um lugar como Pittsburgh, na década de 1880. Naquela época, o industrial escocês Andrew Carnegie – cuja fortuna pessoal rivalizava com a de John D. Rockefeller – comandava a Carnegie Steel. Mais tarde, ela se tornou a US Steel, em uma das maiores fusões de todos os tempos.

Imagino o Sr. Carnegie tão indignado com o desempenho de segurança da siderúrgica que tomou a medida sem precedentes de interromper a produção e reunir “todos os rapazes” para discutir o que estava dando errado em relação à segurança.

Discutir? É mais provável que os ouvidos tenham ficado zumbindo, como os meus depois que aquela arma disparou em uma sala de conferências.

Agora estamos aqui, quase um século e meio depois daquela primeira reunião épica, vivendo em um mundo no qual as reuniões de segurança são praticamente um acontecimento rotineiro e sem graça. A reunião começa. A reunião termina. O líder encerra perguntando: “Alguma dúvida?”. Ninguém pergunta nada, então é hora de trabalhar. 

Em uma palavra, são um ritual. 

Suas reuniões de segurança

Ao ler isto, talvez você discorde da minha visão sobre reuniões de segurança. “Não gostei nem um pouco do que você disse. Minhas reuniões de segurança não se parecem em nada com as que você descreveu. Elas fazem a diferença.” 

Espero que essa seja exatamente a sua reação. E que você chegue ao ponto de concluir: “E você não precisa acreditar apenas na minha palavra. Pergunte à minha equipe. Eles vão confirmar!”

Não seria maravilhoso – desde que sua equipe confirme o que você diz? Quanto às reuniões de segurança, as únicas opiniões que importam são as deles. Elas podem ser suas reuniões de segurança, mas são destinadas a beneficiar seus liderados – não você.

Por outro lado, talvez você esteja pensando que descrevi suas reuniões perfeitamente. Sabe, horas de tédio interrompidas por um ou dois minutos ocasionais de puro terror. Reuniões do tipo “mais uma hora da minha vida que nunca recuperarei” quando terminam – na visão de quem está sentado nas cadeiras.

Mas pelo menos você pode marcar a caixa: “Reunião de segurança realizada”.

Dizem que é preciso repetir algo seis vezes para que alguém se lembre do que você disse. Então, deixe-me repetir: as reuniões de segurança destinam-se a beneficiar os liderados. É a percepção deles sobre o valor da reunião que importa. 

Sim, há assuntos que precisam ser discutidos, mesmo que as pessoas prefiram evitá-los. Como uma daquelas consultas ao médico. Portanto, não, a reunião não precisa deixá-las felizes para ser eficaz. Mas, se seus liderados estão morrendo de tédio com o assunto, cochilando durante as reuniões ou simplesmente não prestando atenção, há algo errado com o processo.

Reuniões de segurança ruins não são apenas uma perda de tempo: elas prejudicam o esforço de liderar as pessoas para que trabalhem com segurança. Gerenciar o desempenho de segurança já é difícil o bastante; por que tornar tudo ainda mais difícil realizando reuniões ruins?

Avaliando suas reuniões

Independentemente de como você veja suas reuniões de segurança, é possível afirmar com certeza que essa é apenas a sua opinião. E, muito provavelmente, ela se baseia exclusivamente na sua intuição. Será que algum líder realiza algum tipo de avaliação de suas reuniões de segurança?

Não é uma questão de não saber como fazer. Hoje em dia, parece que você não consegue nem usar o banheiro de um aeroporto sem que lhe peçam para avaliar a experiência. Tenho meia dúzia de solicitações de avaliação no meu e-mail: o serviço realizado no carro, uma entrega da Amazon, um jantar em um restaurante local e um voo em uma companhia aérea comercial. 

Mas chega de reclamar do problema. Tenho certeza de que, a esta altura, você conhece bem nossa filosofia sobre problemas: se você identificar um que precisa ser resolvido, faça alguma coisa. Embora o problema com as reuniões de segurança (supondo que exista) seja seu – não meu –, sinto-me compelido a oferecer uma solução.

Bem, não exatamente uma solução para o problema das reuniões de segurança ruins, mas um caminho que pode levar a reuniões melhores. É uma pesquisa gratuita que você pode fazer quando quiser. São cinco perguntas simples sobre suas reuniões de segurança.

Responda à pesquisa

Entenda que esta pesquisa se destina exclusivamente ao seu uso pessoal. As perguntas pedem que você avalie suas reuniões de segurança como um processo: quais resultados suas reuniões normalmente produzem?

Tenha em mente que você é a única pessoa que verá suas respostas. E estas são as suas reuniões de segurança.

Avaliação das reuniões de segurança

 

Como parte da preparação da reunião, define-se um objetivo específico para o assunto.

0. Normalmente, é “realizar uma reunião de segurança”.
1. Às vezes, há um objetivo declarado, como “comunicar um novo procedimento”.
2. Sempre tenho um propósito específico em mente.

Os participantes da reunião consideram o conteúdo relevante e importante para eles.

0. Não, muitas vezes é algo que eles já ouviram muitas vezes.
1. Depende do conteúdo.
2. Atenho-me a temas que sei que meus liderados consideram relevantes e importantes para eles.

As pessoas estão ativamente envolvidas e participam da discussão sobre o tema.

0. Isso raramente acontece.
1.  Às vezes, há perguntas.
2.  Isso descreve exatamente o que acontece rotineiramente em minhas reuniões de segurança.

Após o término da reunião, avalia-se até que ponto seu objetivo foi alcançado.

0. Uma análise posterior ou avaliação não faz parte do meu processo.
1. Se houver um grande problema em uma reunião, investigarei o que deu errado.
2.  A avaliação das reuniões de segurança faz parte regularmente da minha prática de gestão.

As reuniões de segurança agregam valor significativo ao processo de gestão do desempenho de segurança.

0. Não muito.
1. Há ocasiões em que uma reunião de segurança ajudou.
2. Eu não realizaria uma reunião de segurança que não agregasse valor.

Em seguida, some os pontos de suas cinco respostas:

         9 – 10: Suas reuniões de segurança são uma prática exemplar. Parabéns!
         4 – 8: Há bastante espaço para melhorar. O que está impedindo você?
         0 – 3: Por que você está realizando reuniões de segurança?

A palavra final
 
Se os líderes vão realizar reuniões de segurança, seus liderados merecem boas reuniões.
 
É realmente simples assim.
 
Paul Balmert
Junho de 2022