Há uma pergunta de que gosto muito e que venho fazendo a líderes do mundo inteiro há mais de duas décadas: “Se eu acompanhasse você durante um dia, o que veria você fazer para liderar e gerenciar o desempenho em segurança?” Nada de aplicar pesquisas, usar modelos, calcular fórmulas ou preencher formulários. Por favor, apenas me diga o que você faz para liderar e gerenciar — na prática.
A pergunta é bastante simples, mas muitos líderes não acham fácil respondê-la — da maneira adequada.
Por maneira adequada, quero dizer abordar a parte da pergunta que diz “ver”. Estamos falando de práticas, não de categorias genéricas como “motivar” e “comunicar”. Essas respostas não se prestam à observação, pelo menos não por mim. Muitas vezes, os líderes não entendem a pergunta; mesmo quando entendem, têm dificuldade para explicar o que fazem na prática para liderar e gerenciar o desempenho em segurança.
Isso é uma observação, não uma crítica. Para ser totalmente franco, quando eu exercia a função de líder, teria a mesma dificuldade para explicar o que fazia para liderar. Minha resposta provavelmente começaria assim: “Converso ao telefone e participo de muitas reuniões.”
Mas agora é sua vez de responder: você consegue explicar a outra pessoa o que faz para liderar e gerenciar a segurança — de uma forma que ela consiga entender?
Essas são as suas práticas, e gerenciar a segurança é a parte mais importante do seu trabalho.
Prática de liderança
Adoro a palavra prática: é um termo técnico muito útil e prático. E o melhor de tudo é que ela é totalmente real. O físico teórico Albert Einstein nos lembrou de que “Na teoria, a prática e a teoria são iguais”. Não é preciso ter esse nível de inteligência para entender que o mundo não funciona como um experimento controlado em um laboratório de física.
A beleza das práticas de liderança em segurança é que elas podem ser observadas — na prática. As práticas podem ser definidas e ensinadas, e também podem ser aprendidas. Passei os primeiros trinta anos da minha carreira observando líderes e sua prática de liderança, e os últimos vinte e cinco ensinando a líderes o que aprendi nesse processo: o que fazer, como fazer, por que fazer dessa maneira e por que não fazer de outra.
A palavra prática também é versátil, funcionando tanto como substantivo quanto como verbo. Lembra-se disso nas aulas de português do ensino médio? Prática — as coisas que um líder faz para garantir que seus liderados trabalhem com segurança — é um substantivo. Verbos são palavras que expressam ação. Esse é o aspecto da prática de liderança que está ausente: praticar no sentido de ensaiar, preparar-se, treinar e aperfeiçoar habilidades. A prática da liderança é algo sobre o qual os líderes raramente param sequer para pensar, quanto mais para efetivamente se dedicar.
Tente explicar essa abordagem para realizar algo importante a um atleta, músico ou cantor. Para eles, a prática é o próprio alicerce de um desempenho bem-sucedido. Achariam uma loucura entrar em campo ou subir ao palco sem antes terem dominado, na prática, o que estão prestes a executar quando realmente importa.
Será que os líderes nascem prontos, não são formados, e já são tão bons em sua prática de liderança que praticar seria um desperdício de tempo valioso?
Na teoria, talvez; na prática, não.
Avaliação da prática
Então, voltemos à pergunta inicial: “Se eu acompanhasse você durante um dia, o que veria você fazer para liderar e gerenciar o desempenho em segurança?” Suas respostas são suas práticas de liderança em segurança. Essa pergunta leva a outra: depois de enumerar essas práticas, como você julga e avalia sua proficiência na execução delas?
Pode ser tentador pensar que avaliar seu desempenho é responsabilidade do seu chefe, não sua.
Por um lado, isso é verdade. Por outro, não é a maneira mais inteligente de pensar. Primeiro, porque, quando seu chefe começar a cobrar você por não gerenciar muito bem o desempenho em segurança, talvez o dano já seja irreparável. Além disso, na época da avaliação de desempenho, você certamente preferiria ouvir seu chefe elogiando sua excelência em liderança em segurança. Segundo, seu gestor talvez não seja tão competente para compreender e avaliar as práticas de liderança de alguém. Isso eu já vi muitas vezes.
Há outra maneira de encarar essa questão: é bem possível que você esteja na posição de ter de avaliar o desempenho em liderança de segurança dos líderes que se reportam a você. Você poderia simplesmente atribuir notas com base nos números: zero dano vale nota máxima e assim por diante. Você é inteligente o bastante para saber que essa história envolve muito mais do que apenas números: qual foi o processo usado para alcançar esses resultados finais.
Na prática, não há como escapar da necessidade de saber enumerar as práticas de liderança e gestão da segurança e, por sua vez, avaliar a eficácia dessas práticas. Realmente não importa se você está analisando a prática dos líderes que supervisiona — ou olhando para si mesmo no espelho.
Avaliação da proficiência
Este é um boletim informativo, não um livro; a intenção aqui é despertar o interesse por questões importantes. É difícil imaginar um assunto mais importante para voltar para casa vivo e bem ao fim do dia do que as práticas de liderança. A execução bem-sucedida dessas práticas exige prática, no sentido literal da palavra.
Como estamos interessados na prática, não na teoria, um exemplo prático pode ajudar a esclarecer a questão. Considere estas quatro práticas de liderança em segurança simples e amplamente adotadas:
- Conduzir reuniões de segurança de modo a gerar engajamento e produzir um benefício específico e concreto.
- Comunicar mudanças nos procedimentos de modo a gerar compreensão, aceitação e compromisso para concretizar a mudança.
- Corrigir comportamentos inseguros de modo a aumentar a probabilidade de que a pessoa adote comportamentos seguros no futuro.
- Reforçar comportamentos seguros de modo a aumentar a probabilidade de que a pessoa adote comportamentos seguros no futuro.
Quando se trata de práticas de liderança em segurança, nada é mais fundamental do que conduzir reuniões de segurança, comunicar mudanças, corrigir comportamentos e reforçar comportamentos seguros. Quando a pergunta for feita, essas respostas deveriam estar na ponta da língua de todos os líderes. Tendo feito essa pergunta cerca de mil vezes, posso afirmar que não estão.
Observe que, para cada uma dessas práticas, foi acrescentada, sem custo adicional, uma descrição da proficiência no desempenho. Conduzir uma reunião de segurança é uma coisa; conduzir uma boa reunião de segurança é algo completamente diferente. Com que frequência você participa de reuniões de segurança realmente boas? Daí a declaração de proficiência — “de modo a gerar engajamento” e “produzir um benefício específico e concreto” —, que começa a indicar como avaliar a eficácia da prática.
Observe a palavra “começa”, pois há todo tipo de elemento sutil, porém vitalmente importante, no processo de condução de uma reunião de segurança eficaz, como escolher um tema relevante, fazer as perguntas certas da maneira adequada e ouvir o que as pessoas têm a dizer. Tudo isso faz parte da proficiência.
Na longa lista de práticas de liderança em segurança, essas são quatro das mais óbvias. Entende o que quero dizer sobre conhecer suas práticas de liderança em segurança?
Então, o que está na sua lista? E como você avalia sua proficiência?
Sobre a prática
Encerramos com o ponto mais importante sobre a prática: como um líder pratica suas habilidades de liderança? Praticar no sentido de ensaiar, preparar-se, treinar, desenvolver-se e melhorar? Por maior que seja o talento natural de um líder, executar bem as práticas de liderança combina arte e ciência.
Atletas, músicos e cantores têm seus treinadores e professores, que são altamente proficientes nas práticas de observação, análise e oferta de ajuda construtiva baseada na “maneira correta de fazer algo”. Esses são justamente os elementos centrais do processo de coaching. Se você pretende levar sua prática a sério e obter algum retorno do tempo investido, precisará descobrir como incorporá-los à sua rotina de prática.
Se você acredita que “liderança não tem absolutamente nada a ver com uma competição esportiva ou uma apresentação no palco”, talvez seja melhor reconsiderar. Embora os liderados não atribuam uma nota nem saiam no meio de uma apresentação ruim, não pense nem por um instante que eles não estejam avaliando constantemente o desempenho de seus líderes.
Agora vem a pergunta prática: por onde começar?
O primeiro passo é simples e fácil: faça uma longa lista de práticas. Tome cuidado para não confundir uma categoria com uma prática: práticas são aquilo que pode ser observado. Em seguida, acrescente uma descrição do que constitui proficiência: existe uma enorme diferença entre “conduzir uma reunião de segurança” e liderar uma sessão que engaje as pessoas e alcance algo de valor.
Comece a trilhar esse caminho, e é provável que os próximos passos se tornem evidentes.
Por fim, se você tem liderados que também são líderes, talvez seja conveniente fazer o mesmo com as práticas deles. Entre outras coisas, esse é o primeiro passo para avaliar sua eficácia. Depois, será preciso reforçar o que fazem bem ou orientá-los para melhorar.
Mais um exemplo de prática de liderança em segurança, certo?
Paul Balmert
Novembro de 2024
